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Marketing

O “Pride Month” está chegando

Fonte: Unsplash

 

Junho é conhecido como o “mês do orgulho LGBTQIA+” em diversas partes do mundo. Isso chega até nós de forma bem perceptível quando nos deparamos com uma enxurrada de marcas manifestando apoio à causa neste período. Logo que o mês se inicia, encontramos novos produtos e coleções voltadas especialmente para o público LGBTQIA+ e iniciativas em prol da igualdade e combate à LGBTfobia por todo lado. Mas será que quem as promove ao menos se preocupa em saber a origem do movimento e seu real propósito? Vamos entender um pouquinho sobre isso, e também sobre como se estrutura essa relação e quais pontos merecem atenção, tanto para um olhar positivo, quanto negativo, no sentido crítico.

Para entendermos melhor, vamos voltar ao dia 28 deste mesmo mês, porém no ano de 1969, data marcada pela “revolta de Stonewall”, um levante que se iniciou no bar “Stonewall Inn”, muito conhecido por ser frequentado por pessoas marginalizadas no geral (especialmente o público LGBT), localizado na cidade de Nova York. O bar teve seus frequentadores agredidos por policias em uma das rotineiras operações que ocorriam naquelas redondezas, evento que despertou revolta não só em quem ali estava, mas também em muitas pessoas ao redor do mundo que estavam cansadas de assistir a violência contra as pessoas LGBT sendo tratada com tanta naturalidade. Este foi o estopim para que a causa fosse pauta de debates públicos posteriormente, e encorajou também a busca pela igualdade de direitos e a resistência contra qualquer tipo de opressão, podemos dizer que foi a partir deste acontecimento que as bases do movimento foram constituídas.

A partir daí, mesmo que lentamente e com muitos retrocessos, o caminho rumo ao respeito frente a sociedade se tornou um objetivo cada vez mais próximo, várias discussões ganharam espaço, vários direitos foram conquistados e a aceitação se tornou algo mais presente em muitos ambientes. E é nesse momento que a mídia exerce um papel importantíssimo, já que não podemos negar que grande parte dessa melhora no cenário veio a partir do momento em que a mídia também passou a abordar o tema, levando diretamente para dentro dos lares algo que a sociedade em si tentava esconder. E podemos perceber até os dias atuais o quão fundamental a publicidade e a propaganda são neste sentido, principalmente quando difundem os ideais pelos quais o movimento luta e acima de tudo, quando trazem representatividade, afinal de contas, as pessoas costumam só tratar com normalidade aquilo que elas têm contato, e além do mais, se ver representado é quase como “se enxergar” em espaços que antes você não ocupava, o que ajuda muito até mesmo no processo de identificação, de entendimento e de autoaceitação de muitas pessoas.

Mas ainda sim nos deparamos com muitas manifestações de intolerância quanto à orientação sexual e identidade de gênero. Tristes estatísticas recentes podem ser citadas:

  • O Brasil segue sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo,pelo 12° ano consecutivo. Sendo em 2020, uma morte a cada dois dias (aproximadamente 175 assassinatos ao todo).

(Fonte: Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil – Antra).

  • No ano de 2020 foram registradas 237 mortes violentas de LGBT’s.

(Fonte: Acontece Arte e Política LGBTI+ e Grupo Gay da Bahia).

  • Relação Homossexual segue considerada crime em 69 países (podendo até ser motivo para pena de morte em muitos países do Oriente Médio).

(Fonte: International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association –ILGA).

  • Projeto de lei recente (PL 504/2020) que proibia LGBTQIA+ em propagandas/publicidades infantis, dizendo que qualquer alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual seria algo danoso às crianças. Algo totalmente discriminatório, e além de tudo, inconstitucional.

Os acontecimentos citados acima, apesar de muito tristes, contém dados importantes que precisam receber a devida atenção, e vale ressaltar que muitas marcas não buscam se informar constantemente sobre acontecimentos como esses, que impactam diretamente a comunidade, e só se envolvem na causa mês de junho. Isso pode ser um fator que proporciona diversas gafes na hora de se posicionarem a respeito do assunto. São comuns os erros na utilização das siglas, das bandeiras corretas, e até mesmo formas erradas de se referir as pessoas que integram a comunidade. Mas como solucionar este problema?

Simples! Se conecte com a causa o ano todo. Muitos palestrantes LGBTQIA+ conseguem uma renda melhor somente neste período específico do ano, sendo vítimas do oportunismo de algumas empresas, que só enxergam necessidade de abordar o assunto quando ele está em alta e pode lhes trazer algum retorno financeiro (visto que o público LGBT gera aproximadamente 7% do PIB do país e produzem renda anual de US$ 141 bilhões, segundo dados da Out Now e Out Leadership). Então, trazer discussões sobre o assunto mais vezes ao ano, ajudaria não só a empresa mais também os próprios integrantes da comunidade.

Palestras, consultorias e informação sobre o assunto sendo levadas de forma constante ajudam a criar um ambiente de trabalho muito mais inclusivo, já que os ideais são difundidos de forma muito mais profunda, por estarem presentes no dia a dia dos funcionários. E tem forma melhor de fazer isso do que contratando pessoas pertencentes a comunidade? Acho que não, né! Permita a entrada dessas pessoas e seu desenvolvimento dentro da empresa, tenho certeza de que será uma troca muito enriquecedora. Se posicione na causa mesmo quando isso não te favorece financeiramente, bata de frente! E como dito, mantenha-se sempre informado sobre as constantes atualizações que ocorrem dentro do movimento já que elas vêm sempre com a missão de trazer mais representatividade, e é isso que sua empresa deve buscar: trazer o conceito de diversidade de forma autêntica e representando a comunidade da forma correta. (E para isso existem milhares de personalidades militantes pelos direitos LGBTQIA+ que você pode seguir nas redes sociais, que realmente falam com propriedade do assunto, sendo uma ótima fonte de informação, fica a dica!).

Dessa forma, tenho certeza de que sua marca passará uma imagem muito mais transparente, inspirando muito mais confiança e credibilidade em todos aqueles que te alguma maneira entram em contato, de quem realmente pratica o que prega e não é movida apenas por interesses, mas sim por uma vontade genuína em ver mudanças que guiem nossa sociedade para um caminho com muito mais amor e tolerância.

“Precisamos lembrar que nossa maior força está no nosso amor pela vida e pelas cores, pela beleza e pela música, pela dança e pela alegria. Essa é a nossa arma secreta. É algo que a oposição não tem. Mantenham essas coisas perto de seus corações, porque em tempos de guerra, isso irá sustentá-los” – RuPaul.

 

 

 

 

 

Tags : diversidadeLGBTQIA+mês do orgulho LGBTPridepublicidade e propagandarepresentatividadeStonewall
Gabriela Coyado

The author Gabriela Coyado

Graduanda em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda na FECAP – Fundação de Escola e Comércio Álvares Penteado, Gabriela Coyado é apaixonada pela língua inglesa (possui inglês avançado), e possui entre suas características a liderança e a proatividade. Sempre muito comunicativa, é amante dos animais e da natureza, adora qualquer manifestação artística/cultural e se considera cantora de chuveiro profissional.

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