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Opinião

A exceção virou regra

foto para site creativosbr

Escasso significa um adjetivo sem fartura, em pequena quantidade que muitos associam a algo negativo, pois representa a falta e a ausência de alguma coisa, enquanto a abundância é algo valorizado, sendo que representa a fartura e a comodidade.

Por muito tempo, o homem era escasso de muitas coisas e, quando era nômade, precisava caçar para sobreviver. Com isso, pôde desenvolver várias ferramentas e até dominar a técnica de produzir o fogo. Pois bem, depois começaram a desenvolver a agricultura, domesticar animais e passaram a construir cidades, estados e formar sociedades, nas quais os elementos que antes eram escassos, passaram a se tornar fartos e abundantes. Com isso, veio o progresso, a revolução industrial, a tecnológica, a era da informação, até chegar o ponto de dar apenas um Google para saber o significado da palavra “escassez”.

Ou seja, o mundo virou abundante, e isso é um “problema”. Mehta e Zhu, que realizaram um estudo em 2015 sobre o teste do plástico-bolha, concluíram que a abundância inibe o olhar inovador, pois gera em nossa memória o uso de recursos previamente realizado antes e diminui a possibilidade de enxergarmos uma situação por outro aspecto, pois sempre iremos utilizar padrões já testados antes que obtiveram resultados positivos.

Psicólogos perceberam que quanto menos recursos, maior a possibilidade de sermos mais “criativos”, no sentido de buscarmos outras ligações neurais para resolver o problema proposto e enxergar outras formas de ressignificar o objeto sugerido.

Por isso, uma das técnicas utilizadas para desenvolver a criatividade no sentido de solucionar problemas é a restrição que consiste em colocar limites de recursos a um problema a ser solucionado.

Quando eu estava lendo sobre isso, me veio o questionamento: o quanto as agências de pequeno porte estão sendo “criativas”? Pois naturalmente elas enfrentam uma restrição que é conhecido por todos nós, o cliente sempre tem pouca verba.

Naturalmente, seguindo a lógica da restrição, era para essas agências darem uma aula de criatividade todos os dias, porém o que mais se observa é a abundância tomando de conta do seu cotidiano. A verba curta já virou padrão e isso não é mais um elemento restritivo para estimular um olhar inovador sobre o problema. A exceção virou regra? Como podemos reverter essa situação sem cair nos clichês e nas formulas prontas?

Desculpe se dessa vez eu não lhe dei respostas ou cheguei na conclusão que você esperava. É porque eu acho que refletir é tão importante quanto consumir. Vamos deixar um pouco a abundância de lado e nos restringir para chegarmos a nossas próprias conclusões.

 

Pabllo Stanlley

O autor Pabllo Stanlley

Publicitário, Coordenador de Marketing da Unimed Teresina-PI. Formado pela Estácio CEUT-PI e MBA em Gestão de Marketing na ESPM-SP, certificado pelo Grupo de Mídia. Trabalhou em agências atuando no departamento de Mídia, gerenciando as contas do Governo do Piauí e outros clientes do mercado. Fez parte do time da afiliada da TV Globo como Analista de Planejamento, desenvolvendo projetos comerciais voltados para as necessidades do mercado aproximando os anunciantes ao veículo de comunicação.

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