close
Opinião

A Record escondeu as Olimpíadas?

E chegou ao fim, a 30ª edição dos Jogos Olímpicos, em Londres.

Penso que poderíamos aqui fazer centenas de análises sobre o fracasso dos nossos ídolos, o sucesso dos desconhecidos, a impecável organização londrina, enfim, teríamos assunto para posts e mais posts.

Mas vamos falar sobre a questão da transmissão do evento, que desta vez, em TV aberta, ficou à cargo da Rede Record de Televisão.

Já falamos aqui sobre as nossas expectativas em post anterior, mas agora, falamos se elas foram ou não atendidas, no que diz respeito à transmissão.

Foram 19 dias de transmissão e mais de 165 horas de programação sobre os Jogos, pela Rede Record.

Excelência na transmissão? Não, longe disso, mas na minha opinião, a Record fez o melhor que podia e tudo o que estava ao seu alcance.

Ou quase, já que não se pode compreender como a emissora optou em transmitir Gugu ao vivo, do que as disputas da natação?!

Mas de modo geral, entre erros e acertos, fez o que pode sim!

Contratou comentaristas de áreas específicas, mas que realmente não tinham habilidade alguma com o microfone.

Erros de português grotescos, mas ao menos, tinham um especialista em cada uma das áreas transmitidas pela emissora. Respeitaram o telespectador nesse sentido, mas esqueceram de treinar os caras antes.

Tivemos um especialista para cada modalidade transmitida, inclusive naquelas modalidades em que eu jurava não termos especialista algum. De todos, o Romário foi o melhor. Muitos já imaginavam isso.

Com a sombra da SporTV, com seus 4 canais HD e com a transmissão ao vivo pelo Portal Terra, a Record se viu obrigada a prestar ainda mais atenção ao que levava ao ar.

E dessa forma, a Record foi mesmo a emissora do "povão" no Brasil. Quem não tem internet ou não tem TV a cabo, não teve escolha.

Acontece que embora a Record tenha feito tudo aquilo que podia, enviando mais de 350 profissionais à terra da Rainha, ela tem suas limitações e todo mundo sabe disso.

Falta um pouco de "bagagem" pra emissora. É inevitável que seja feita comparação com a Globo, que sempre deu um show na transmissão de qualquer evento.

Se compararmos as transmissões no período noturno, por exemplo, a Record obteve média de 6,93 pontos, contra 25,32 da Globo, nas Olimpíadas de Pequim, em 2008.

Dessa forma, penso sim que as Olimpíadas ficaram diminuídas. Pouca gente sabia o que estava acontecendo!

Internautas ávidos por redes sociais se perguntavam a todo momento quando a Seleção Brasileira de Futebol teria seu próximo jogo. Imaginem então aqueles que não tinham acesso à rede?

No último dia de transmissões, a final do vôlei masculino chegou à 11 pontos, enquanto a cerimônia de encerramento não passou dos 6.

Embora a audiência média dos Jogos tenha sido muito, mas muito inferior aos Jogos de quatro anos atrás, acho que a Record entregou sim, o que foi prometido aos seus patrocinadores. Segundo nota da emissora, o evento representou um aumento de 35% na audiência do canal.

Quem entrou no barco, sabia das limitações da emissora e que a classe AB assistiria aos Jogos pelos canais da TV paga. Não creio que existam patrocinadores decepcionados com o que viram da Record.

Foi um ato de coragem de uma emissora que trabalha a cada dia, para buscar a poderosa concorrente!

Boa Segunda-Feira a todos!

Tags : audiênciablogblog do crespocanalcerimôniaeventofilipe crespoglobohdibopelondresmídiaolimpíadaspropagandapublicidaderecordsportvtransmissão
Filipe Crespo

The author Filipe Crespo

Publicitário formado e Mestre em Administração com ênfase em Finanças. Profissional de mídia certificado pelo Grupo de Mídia de São Paulo construiu carreira em agências como Ogilvy, Africa, Y&R, JWT, W/McCann e Lowe, atendendo clientes como: P&G, Unilever, BRFoods, LG, Bradesco e Mastercard. Atualmente é Sócio Diretor do Creativosbr e Consultor de Mídia do McDonalds no Brasil. É idealizador do Amigos do Mercado. É também professor de Planejamento de Mídia na FECAP, na FAAP e no MBA do Mackenzie.

Comentários no Facebook