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Pabllo Stanlley

Opinião

A exceção virou regra

foto para site creativosbr

Escasso significa um adjetivo sem fartura, em pequena quantidade que muitos associam a algo negativo, pois representa a falta e a ausência de alguma coisa, enquanto a abundância é algo valorizado, sendo que representa a fartura e a comodidade.

Por muito tempo, o homem era escasso de muitas coisas e, quando era nômade, precisava caçar para sobreviver. Com isso, pôde desenvolver várias ferramentas e até dominar a técnica de produzir o fogo. Pois bem, depois começaram a desenvolver a agricultura, domesticar animais e passaram a construir cidades, estados e formar sociedades, nas quais os elementos que antes eram escassos, passaram a se tornar fartos e abundantes. Com isso, veio o progresso, a revolução industrial, a tecnológica, a era da informação, até chegar o ponto de dar apenas um Google para saber o significado da palavra “escassez”.

Ou seja, o mundo virou abundante, e isso é um “problema”. Mehta e Zhu, que realizaram um estudo em 2015 sobre o teste do plástico-bolha, concluíram que a abundância inibe o olhar inovador, pois gera em nossa memória o uso de recursos previamente realizado antes e diminui a possibilidade de enxergarmos uma situação por outro aspecto, pois sempre iremos utilizar padrões já testados antes que obtiveram resultados positivos.

Psicólogos perceberam que quanto menos recursos, maior a possibilidade de sermos mais “criativos”, no sentido de buscarmos outras ligações neurais para resolver o problema proposto e enxergar outras formas de ressignificar o objeto sugerido.

Por isso, uma das técnicas utilizadas para desenvolver a criatividade no sentido de solucionar problemas é a restrição que consiste em colocar limites de recursos a um problema a ser solucionado.

Quando eu estava lendo sobre isso, me veio o questionamento: o quanto as agências de pequeno porte estão sendo “criativas”? Pois naturalmente elas enfrentam uma restrição que é conhecido por todos nós, o cliente sempre tem pouca verba.

Naturalmente, seguindo a lógica da restrição, era para essas agências darem uma aula de criatividade todos os dias, porém o que mais se observa é a abundância tomando de conta do seu cotidiano. A verba curta já virou padrão e isso não é mais um elemento restritivo para estimular um olhar inovador sobre o problema. A exceção virou regra? Como podemos reverter essa situação sem cair nos clichês e nas formulas prontas?

Desculpe se dessa vez eu não lhe dei respostas ou cheguei na conclusão que você esperava. É porque eu acho que refletir é tão importante quanto consumir. Vamos deixar um pouco a abundância de lado e nos restringir para chegarmos a nossas próprias conclusões.

 

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Publicidade

As marcas e o Dia da Mulher

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Com certeza você já ouviu falar sobre feminismo. Seu conceito não está tão claro para todo mundo pois sempre há os extremos que por sua vez acabam distorcendo o real sentido e o principal motivo desta luta, mas o fato é que a publicidade vem evoluindo junto com a sociedade e com isso atrelando seu discurso em sua comunicação.

Recapitulando as palavras da psicanalista, professora e integrante da casa do saber, Maria Lucia Homem, “o feminismo é uma luta necessária ainda, porque ao longo de séculos a mulher foi colocada no lugar de subalterna e sendo dominada por uma lógica patriarcal, machista e, hoje em dia, salvo raras exceções, repetem o discurso que mulher é fraquejada[…] O feminismo é falar: Opa! Para tudo, que narrativa é essa? Que discurso milenar equivocado é esse?”

Por muito tempo, as propagandas referentes ao Dia Internacional da Mulher se resumiam a homenagear a mulher por sua beleza, delicadeza e doçura, sempre acompanhado de flores, doces ou joias, pois era uma época em que as marcas viam apenas como uma oportunidade de vendas. Com o feminismo em pauta e a sociedade tentando mudar o estereótipo da mulher, o discurso das marcas também mudam e passam a usar a data do Dia Internacional da Mulher para dialogar com suas consumidoras trazendo uma imagem de força, garra e determinação para sua comunicação.

Um exemplo disso é a nova campanha da Nike, que lançou no dia do Oscar, o seu novo comercial com a tenista Serena Williams, reforçando o discurso de superação e coragem. Com o titulo “Dream Crazier”, o comercial ainda conta com a presença de Alex Morgan, da seleção americana de futebol, Lisa Leslie, ex-jogadora de basquete, e Simone Biles, ginasta olímpica. Todas elas provando que a mulher não é frágil e que pode quebrar tabus culturais através do seu talento e determinação.

Com as marcas entendendo essa mudança de comportamento e passando a colocar esse assunto na pauta da sua comunicação, é sinal de que estão seguindo o caminho certo, até porque as mulheres ainda sofrem bastante com a jornada dupla ou até mesmo tripla e vão precisar de mais alguns anos lutando para equiparar seus direitos e mudar a imagem criada ao longo dos anos. O que nos conforta é saber que ao menos as marcas estão entrando nessa causa para mudar o jogo.

 

 

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Mídia

MUDANÇAS NO OSCAR 2019 PARA RECONQUISTAR AUDIÊNCIA

Oscar 2019

Domingo, 24 de fevereiro, pela 91ª vez o tapete vermelho receberá as grandes estrelas de Hollywood. Porém, nem tudo são champanhes e estatuetas. Na edição anterior, foi registrada a menor audiência da história do evento com uma queda de 19% em relação a edição de 2017. A cerimônia mais badalada de cinema foi acompanhada por apenas 26,5 milhões de telespectadores.

 

A The Hollywood Report – revista especializada em cobrir as notícias de Hollywood e entretenimento – afirmou que esta foi a primeira vez que o Oscar teve menos de 30 milhões de telespectadores. Diante deste cenário, a Academia fez algumas mudanças com o intuito de aumentar a audiência e modernizar um dos eventos mais tradicionais do cinema.

 

O filme Pantera Negra teve 7 indicações à estatueta de ouro incluindo a categoria de Melhor Filme. Isso pode não representar muita coisa, mas a Academia tem apresentado interesse por filmes mais populares para expandir sua audiência, lembrando que Pantera Negra fez uma bilheteria de US$ 1,5 bilhão no mundo todo, e especialistas afirmam que a intenção é aproximar mais do grande público para melhorar sua audiência na TV.

 

Foi mencionado também que quatro categorias não serão televisionadas, segundo John Bailey, presidente da Academia. Ele afirma que isso será necessário para diminuir o tempo do Oscar e evolução da cerimônia, atraindo um público jovem e se adequando aos padrões da atual televisão. Dessa forma, o Oscar terá apenas 3 horas, e as categorias cortadas serão exibidas via streaming no site Oscar.com, que também será uma novidade este ano com a transmissão além da TV.

 

Outra revelação é a ausência de um “anfitrião” da cerimônia, que provavelmente seria o ator Dwayne “The Rock” Johnson, mas ele desistiu do convite por motivos de conflito em sua agenda de trabalho.

 

Preocupados com a audiência, a Academia está montando um batalhão de nomes populares para orquestrar o evento e assim, quem sabe, elevar os números da audiência. A lista inclui: Sarah Pauloson, Samuel L. Jackson e James McAyoy (“Vidro”), Melissa McCarthy (“Poderia me Perdoar?”), Jason Momoa (“Aquaman”), Emilia Clarke (“Han Solo: Uma História Star Wars”), Javier Bardem (“Todos Já Sabem”), Stephan James e KiKi Layne (“Se a Rua Beale Falasse”), Laura Dern (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), Key Keegan-Michael (“O Predador”), Angela Bassett e Chadwick Boseman (ambos de “Pantera Negra”).

 

Muitos não gostaram das mudanças, mas o certo é que a academia não pode ignorar os números; e se a audiência está caindo, é sinal de que o publico não está gostando. Porém, só no dia 24 podemos saber se as mudanças conquistaram os cinéfilos e resgataram a audiência perdida.

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