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Entrevista com Viviane Camargo

Viviane Camargo, publicitária e fundadora da Aurora Branding, com passagem por grandes agências, como DM9DDB, McCann-Erickson e JWT Curitiba, em conversa com o Creativosbr, explanou sobre o que é branding e porquê essa estratégia tem se tornado cada vez mais importante para as organizações.

O que é branding? 

Branding é o processo de construção da marca. E tão importante quanto explicar o que é branding, é explicar o que é marca: marca está relacionada à imagem, pode ser de uma empresa, um produto ou serviço. A marca de uma organização é construída através das suas manifestações visuais e verbais, como: identidade visual, ou seja, todo o seu universo visual – logomarca, ícones, cores, tipografia -; sua comunicação verbal, linguagem, tom de voz, como não se expressa e como uma empresa se posiciona no mercado para se diferenciar das outras. Esse conjunto de definições [de marca] é o branding. Ou seja, é uma série de estratégias e metodologias para construir a correta imagem e associações a uma marca. Portanto, o branding é o processo, é o como se constrói essa imagem da forma mais apropriada possível.

Por onde começar a aplicar o branding?

O trabalho de branding sempre começa de dentro pra fora, ou seja, dentro da empresa: nessa primeira fase a intenção é descobrir o que essa empresa faz, o que ela se propõe a fazer, qual é o propósito dessa organização – pergunta-chave do branding -, e essas descobertas são feitas por meio de conversas com gestores, colaboradores, vendedores e público interno. Após essa fase, a compreensão sobre aquela empresa se direciona para a percepção externa, consumidores, fornecedores, ou seja, todos os stakeholders, para entender se toda aquela verdade vista no início do projeto está sendo traduzida para o público externo. O branding trabalha muito com realidade e percepção, então no final desse processo de análise é preciso alinhar as duas coisas. E a função do branding é traçar uma identidade para que tudo fique alinhado, para que todos os públicos vejam a marca da mesma forma e com a mesma percepção. Então na implementação, o público interno é o primeiro impactado. E a razão para traçar essa estratégia de dentro pra fora é porque o branding trata de propósito, essência, DNA, cultura e principalmente de identidade. 

Esse trabalho que começa internamente é a construção da cultura? 

Exato, porque se não for trabalhado internamente se torna algo que não é verdadeiro. A empresa precisa internalizar a sua identidade para depois naturalmente essa marca se externalizar para outros públicos.

Quais são os benefícios de possuir uma estratégia de branding?

São vários. Pela nossa experiência aqui na Aurora, nós vemos que nossos clientes têm duas grandes dores que se traduzem depois nos benefícios que o branding entrega. A primeira é a frustração das empresas de possuir uma comunicação sem foco, de não ter uma identidade estabelecida, por exemplo, temos um cliente aqui na Aurora que não sabe se deve responder nas redes sociais com bom humor ou com de maneira mais séria, porque se trata de uma instituição de ensino superior, isso porque ainda não foi decidido o tom de voz da marca. Então essa falta de foco da comunicação da empresa é uma das grandes necessidades que faz com que uma empresa procure a Aurora. Nesse caso, o branding alinha essa necessidade e fornece quais serão os passos a seguir daquele momento em diante e pelos próximos anos. Ou seja, o branding vai organizar e dar uma diretriz para todas as ações de marketing e RH, quando se fala do público interno de uma organização, e direcionar aquela marca. E a segunda dor, sendo uma consequência da primeira, a empresa possui uma verba alta disponível para o marketing e ao final do ano a sensação que se tem é que o investimento foi gasto e a empresa não construiu a imagem que gostaria e que muitas vezes não sabe qual é. Nesse caso o branding ajuda a empresa a encontrar essa imagem, ou seja, qual a sua identidade, e traça um plano muito claro para isso. Então essas duas dores fazem com que a organização não construa de forma sistêmica e organizada as associações que a empresa quer que o público tenha quando pensar na marca. 

E organizar a identidade e comunicação da marca é o que faz com que ela seja lembrada pelos consumidores?

Exatamente, essa organização é fundamental na etapa de implementação do branding. E para que isso aconteça [lembrança da marca] é preciso haver consistência na comunicação dessa marca. O Itaú Unibanco é um grande exemplo dessa “consistência”: o som da marca, as cores, a tipografia, o tom de voz são os mesmos há muitos anos. Um grande erro das empresas é achar que as suas manifestações podem ser mudadas o tempo todo quando, na verdade, o consumidor não está tendo tempo de memorizar aquela marca, de construir as associações que o trabalho de branding traça. E é preciso ter em mente que essa construção pode demorar anos.

Existe diferença de branding para uma empresa menor e para uma grande organização?

Todo processo de branding tem diferença, já que quando falamos de identidade, cada empresa tem a sua. Mas a principal está no momento que cada empresa está vivendo, se é um rebranding ou a criação do branding de fato. No primeiro caso a construção da estratégia vai olhar muito pra história da marca, e nesse processo de mergulhar no passado da empresa, começa um trabalho de reflexão, ou seja, “quem eu sou?”, “de onde eu vim?” e “pra onde eu vou?”. E pra uma marca nova, que é o caso da construção do branding, a gente vai olhar muito pro contexto em que essa marca está inserida, para poder entender o porquê que o mundo precisa dessa marca? o que a marca está se propondo a solucionar?

Então no rebranding olhamos o passado e depois o presente para projetar aquela marca no futuro. E no branding olhamos para o contexto atual e futuro para entender a relevância da proposta daquele negócio para o público. E essa relevância é o que causa a diferenciação daquela marca. Então é entendendo de onde a empresa está partindo que adotamos a estratégia mais adequada para aquela organização.

E quando é necessário que uma marca passe pelo rebranding?

Depende, há duas situações e elas podem acontecer ao mesmo tempo. A primeira é quando a própria empresa identifica que aquela maneira que ela está se apresentando para o mercado não traduz mais o que a marca é, geralmente está ultrapassada, sendo que a empresa está em outro momento. A segunda, é quando a empresa acha que está tudo certo, porém precisa mais de um direcionamento para a comunicação ou um conceito, que não está necessariamente atrelado ao visual. Mas quando partimos para a etapa de pesquisa para entender como a marca está sendo percebida, os clientes e o mercado trazem insights de que a empresa não traduz o que ela acha que transmite. Então quando há um rebranding a gente traça uma nova estratégia e em alguns casos um novo design visual para tornar tangível todo o conceito daquela marca.

Falando em construção de percepção de uma marca, a sociedade tem cobrado muito para que as empresas se posicionem e façam algo em relação às pautas da sociedade, como racial, LGBQIA+ entre outras. Quando e como uma marca pode abraçar alguma causa para defender sem parecer oportunista?

 Tudo gira em torno da verdade. O branding tem a ver com a identidade, com traduzir uma verdade e com a autenticidade. Uma marca que nunca teve seu propósito, ou seja, qual a contribuição maior que a marca quer oferecer onde ela atua ancorada em algum tema, seja ele qual for, gênero, raça, feminismo, machismo; e de repente começa a levantar aquela bandeira, provavelmente, a imagem que se vai passar é que a organização está se aproveitando do momento, ou seja, sendo oportunista. E marcas que defendem alguma bandeira e não parecem oportunistas, é porque elas não são. Já que aquilo está no seu DNA. A Magazine Luiza tem a Luiza Trajano, uma líder feminina e feminista que abraça questões relacionadas às mulheres, então quando a Magazine se envolve com essa questão não é visto como oportunismo, pois essa já é a imagem projetada pela empresa. Mas isso não significa que marcas que nunca falaram sobre alguma causa, não possam se associar a uma. Por isso existe o trabalho de branding, para entender qual é o propósito daquela empresa e pelo que a sua marca briga, no sentido de qual bandeira ela defende.

E é necessário que toda marca esteja engajada em algum tema social?

Toda marca precisa levantar uma bandeira, mas não precisa ser algo que é tema dos jornais. Essa bandeira não precisa estar ligada a gênero, à raça, à sustentabilidade, política; não necessariamente. A bandeira tem a ver com relevância, por exemplo, o Nubank defende o “banco simples”. Ou seja, não precisa ser um tema social, mas sim com relevância social, por exemplo a empresa MadeiraMadeira que tem como propósito “reinventar a maneira como as pessoas montam às suas casas” é uma bandeira que defende a compra de artigos para casa mais acessível em questão de preço, mais diversificada com um portfólio de mais de 2000 produtos, mais democrática. E essa é uma bandeira que tem relevância para as pessoas. O importante é a empresa se posicionar e não ter medo da sua posição.

E a relevância de uma organização é o que constrói o seu valor. Quais leituras pode-se fazer acerca desse tema? 

Há duas leituras sobre valor de marca, a numérica, que pode ser chamada de “Valuation”, calculada através de uma metodologia super complexa que considera ativos tangíveis, como patrimônio físico, quanto aquela empresa vale e quanto vai valer; e ativos intangíveis que é relacionado à percepção do público, ou seja, quanto o consumidor valoriza aquela marca. A Apple é um exemplo desse último ativo, sendo a segunda marca mais valiosa do mundo, ficando atrás apenas do Google, mas não é a maior empresa do mundo – pensando no primeiro ativo. E o que constrói esse valor de marca intangível, e que é um ponto muito trabalhado no branding, são os valores da marca, ou seja, as crenças e a forma de pensar e agir, os pilares; ainda usando a Apple como exemplo, os pilares da marca são: inovação, simplicidade e design primoroso; que são premissas no lançamento de qualquer produto deles, já que forma o DNA da Apple. Sem esses valores o produto não pode ser lançado, porque não corresponde à verdade e o que se espera da marca. E isso é o que constrói a percepção que público tem da marca.

O que o profissional precisa saber sobre a empresa para estabelecer estratégias de branding? 

Boa parte dos clientes com os quais trabalhamos aqui na Aurora sabem que têm um problema, mas não sabem o que é. E tem casos de empresas que acham que são algo, mas quando vamos pesquisar internamente e externamente, a visão da organização não é a percepção dos públicos. E muitas vezes isso acontece porque o dono centraliza a cultura e não há branding que resolva uma cultura mal construída, é preciso mudar a cultura. E como saber disso? Na etapa de imersão interna, há uma conversa com o dono, os gestores, o presidente, e todos os outros colaboradores que fazem parte da empresa. E o nosso papel como consultora – o que é o caso aqui da Aurora – é entender o que aquela empresa é, como está sendo vista; para traduzir isso de forma mais clara e que traga maior força pra organização.

Quais são os campos de estudo para se tornar um profissional de branding?

Essa é uma pergunta difícil [rsrs]. Aqui na aurora eu trabalho com designers gráfico, psicólogos, agora eu tenho um antropólogo, eu me apoio muito na filosofia; mas se eu fosse direcionar para um curso, seria o marketing porque o branding é a base dessa área. Isso porque o branding se apoia nas relações entre marcas e seres humanos basicamente, por isso a antropologia, a filosofia e a psicologia estão ligadas a essa estratégia; e para construir essa relação é preciso entender e estudar o ser humano. Mas, mais do que um curso é o perfil do profissional de branding que importa, essa pessoa tem que gostar de ler, ser curiosa, precisa ser inquieta, antenada e gostar de estudar o ser humano. Então é mais sobre gostar dessa área do conhecimento [compreender o ser humano] do que um curso específico. O branding é muito amplo, é multidisciplinar, por isso aqui na Aurora nós somos uma combinação de profissionais multidisciplinares.

Um recado para os futuros publicitários e marketeiros ou gestores de marcas?

Independentemente do curso que você faça: administração, marketing, publicidade, design, todas essas áreas que permeiam o branding, vá além disso, seja inquieto, curioso, fique antenado e seja um profissional com repertório; esteja aberto a novas coisas e conhecimentos.

Como vimos durante a entrevista, possuir uma estratégia bem definida é essencial para o crescimento de uma organização enquanto marca e o branding é o que aponta a direção a ser seguida.

 

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Entrevista: Isabella Zakzuk

Isabella Zakzuk, diretora sênior de marketing na Procter & Gamble (P&G), é paulista e formada em Administração de empresas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Sendo uma pessoa muito determinada e comunicativa, iniciou sua carreira na P&G há 14 anos como estagiária e hoje ocupa um dos cargos mais altos do mercado do marketing. Abrangendo sempre o aspecto humanitário da empresa, Isabella defende que a paixão pelo trabalho e a consciência de que tudo vale a pena para o seu desenvolvimento são elementos profissionais essenciais.

CreativosBr – Sabemos que o machismo na sociedade, sobretudo nas agências de comunicação, sempre foi uma grande realidade. Como você, mentora de futuros jovens talentos da comunicação, aborda esse assunto – principalmente com as mulheres?

Isabella: O machismo realmente sempre foi uma grande realidade,que acredito que aos poucos, a sociedade tem evoluído bastante, também com o papel de grandes organizações e de pessoas que acabam levantando esse assunto para educar, para debater e para caminhar. Meu papel como mentora de jovens talentos, principalmente mulheres, é em primeiro lugar mostrar que é possível!  Sempre que nós queremos quebrar algum padrão que não consideramos correto, é muito importante que a gente veja que é possível chegar lá! É possível ser mulher e crescer, é possível ser mulher e ser uma profissional respeitada e reconhecida, e o mais importante, é possível fazer isso sendo quem você é! O meu papel principal e parte da responsabilidade que carrego é servir de exemplo, de modelo. Precisamos desses tipos de heróis ou heroínas que nos mostrem que construir, batalhar e sonhar valem a pena! Em segundo lugar, é ajudar nas questões do dia a dia, compartilhando as próprias vulnerabilidades e as próprias situações as quais tive que enfrentar, o machismo ou outras condições que me desfavoreceram. Ajudar é ser uma voz que vai ativamente lutar contra isso! Embora seja um caminho possível, não é fácil.  Precisamos estar lá e servir como um porto seguro, um ponto de ajuda, alguém que possa, a partir das próprias experiências, mostrar que dá para virar o jogo.

CreativosBr – A P&G é uma multinacional que conta com vários pilares de diversidade e inclusão, como exemplo a organização GABLE (Gay, Aliados, Bissexual, Lésbicas e Transgêneros) que é presente em 43 países com mais de 5 mil membros. Questões como essas são de extrema importância para as pauta das empresas atuais. Como você se sente fazendo parte e ajudando a construir um mercado publicitário mais moderno e inclusivo, em uma área que até uns anos atrás era muito padronizada?

Isabella: A P&G realmente possui todos esses  pilares de diversidade e inclusão, porque ela não só acredita em diversidade e inclusão como parte do que chamamos de PVP’s, que são os nossos propósitos, valores e princípios, como também acreditamos genuinamente que melhores resultados são alcançados a partir de equipes diversas.  Quando cheguei na companhia a igualdade de gêneros não era uma realidade, mas hoje, felizmente ela é! Temos uma equipe bastante equilibrada entre homens e mulheres, isso também na liderança. A verdade é que olhando para trás, vejo que nesses 14 anos que pude ser parte de dentro da P&G, vejo a jornada fantástica na frente de diversidade e inclusão, e me sinto muito orgulhosa porque sei que a companhia para qual eu gero resultados com meu trabalho, compactua e age para ter um impacto positivo na sociedade. Além do orgulho, sinto bastante responsabilidade, ainda mais por hoje eu estar na liderança, também sou responsável por levar essa jornada adiante.

CreativosBr – Passando por diversas experiências profissionais em uma multinacional de comunicação você já deve ter presenciado ou ter ouvido testemunhos de comportamentos sexistas em escritórios e conferências. Há/houve algum meio de denúncia ativa, como canais de denúncia anônima ou até mesmo de suporte emocional dentro da empresa?

Isabella: Na P&G a cultura é muito forte! Nosso propósito, valores e princípios são o que de mais inegociável nós temos, o maior ativo da companhia, na minha opinião. É claro que há situações que fogem da norma, daquilo que consideramos o correto, mas existe um sistema fortíssimo que ajuda as pessoas a entender quais são os comportamentos errados e não tolerados e a reportar esse tipo de comportamento, para que as devidas medidas sejam tomadas. Esse forte canal existe desde que eu entrei, ele continua existindo e serve realmente para capturar as exceções à regra. A regra é operar de acordo com a nossa cultura, com o que vemos a liderança fazendo, que como eu disse, são os nossos PVP’s.

CreativosBr – Recentemente você chegou a participar em um bate-papo sobre protagonismo feminino, marketing e inovação. Além desses bate-papos e de palestras informativas sobre as mulheres no mercado publicitário, o você acredita que pequenas e grandes empresas podem fazer para diminuir esse impacto da falta de presença feminina?

Isabella: Creio que se expor, participar desses bate-papos, entrar em grupos de conversa e olhar fora das paredes da nossa organização é uma das atitudes mais importantes para que consigamos diminuir esse impacto. Nosso papel como liderança além de fornecer mentoria para jovens talentos, também é promover o debate da sociedade, participamos de diversas mesas redondas, almoços construtivos, como nós chamamos, para debater temas importantes da sociedade com pessoas de diferentes idades e realidades. Um outro aspecto que eu acho que é um dos mais relevantes, é entender como profissional de comunicação, qual é o impacto que podemos ter a partir da voz das nossas marcas. Nosso papel é mais do que apenas comunicar um benefício funcional de mercado econômico, nosso papel também é promover debates importantes que ajudem a moldar a sociedade para aquilo que consideramos uma sociedade mais próxima do ideal, de acordo com os nossos valores.

CreativosBr – Você carrega uma alguma filosofia própria ou tem algum valor que ajudou a te apoiar em eventuais momentos de crise profissional? Ou tem alguma inspiração?

Isabella: Eu tive e tenho a oportunidade de cruzar, trabalhar e conviver com pessoas que definitivamente são inspiração para mim, mas até para ligar isso com a pergunta da minha filosofia própria, a minha principal filosofia é me inspirar e me espelhar não em uma única pessoa, mas em aquilo que eu gostaria de ser no futuro. Em vários momentos,eu fecho meus olhos e penso quem gostaria de ser daqui cinco anos, quem eu gostaria de ser daqui a 10 anos. Então eu penso: “Ok e o que que eu preciso fazer para chegar onde quero?”.  Isso não só na vida profissional, mas também na vida pessoal, também em relação ao legado que eu quero deixar no mundo. Isso é a respeito de você não ser outra pessoa, mas de você se aceitar e amar quem você é, e ainda assim buscar ser melhor todos os dias. Esse é um ponto muito importante e que me ajuda em momentos de crise e em momentos de conquista e realização,para também a gente nunca tirar o pé do chão.

CreativosBr – Você ingressou na P&G como estagiária e hoje em dia tornou-se diretora de marketing. Qual dica ou conselho você daria para os alunos de cursos de comunicação que estão ingressando agora no mercado publicitário?

Isabella: A principal dica: tenha atitude.  Os hard skills são coisas que a gente consegue aprender na escola,na faculdade ou até no trabalho; eles nós conseguimos construir! Tem até um ditado que fala que essas habilidades são as que nos contratam, mas muitas vezes são as atitudes que te demitem. Ter a atitude certa, de querer contribuir e aprender mais, de entender que somos eternos aprendizes,  isso é muito importante!

Segunda dica: se mantenha atualizado. Hoje, mais do que nunca, a gente precisa se atualizar porque a velocidade de transformação da sociedade é cada vez mais rápida e quando estamos falando com consumidores, um bom  profissional de comunicação tem que se conectar com eles. Precisamos lembrar que acima de tudo, eles são humanos e que a forma que vamos nos comunicar também tem que mudar, experimentar ferramentas novas para que não sejamos passados para trás.

Última dica: exercite sempre a empatia. No final das contas,nós temos que atender as necessidades e servir as pessoas, e só conseguimos entender essas pessoas quando temos empatia, quando sabemos observar, escutar e quando conseguimos transformar isso em insights.

 

Indicação de vídeo: Campanha “Like a girl” (Tipo Menina) da marca Always.  

Link: https://youtu.be/mOdALoB7Q-0

 

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Entrevista: Karol Jimenez

Creativosbr – Muitas pessoas acreditam que para fazer Marketing, Publicidade e Propaganda ou áreas correlacionadas é preciso ser criativo, comunicativo ou conhecer todas as informações do mundo. Por que você acha que elas pensam dessa forma e como um profissional da área pode contribuir na desmistificação desse pensamento?

Karol Jimenez – Nossa profissão é de fato uma área muito criativa e que no meio de tantas mídias e marcas tentando se comunicar, é necessário criar formas para se destacar entre tantas e principalmente da própria concorrência, entendo que esse destaque e a forma com que é feito isso, é muito associada “a necessidade de ser criativa, comunicativo e ter todas as informações”. De fato, para fazer uma boa entrega você precisa sim de informações, mas para isso que existe planejamento, pesquisa… de fato, você precisa ser criativo, mas com esse planejamento e pesquisa, é possível ter a visão geral e contar com o time de criação e assim vai… Eu vejo que as pessoas entendem que ser “publicitário” é fazer tudo, quando na realidade ser publicitário pode ser entender sobre tudo, mas executar muito bem uma parte do processo e está tudo bem, por isso que existem times, agências… eu trago até mesmo para mim, que uma forma de quebrar um pouco isso, e contribuir para essa desmitificação, é fazer com que todos entendam o processo e principalmente a sua importância em parte dele.

Creativosbr – Em uma agência de publicidade existem muitas áreas a serem seguidas, como atendimento, mídia, planejamento criação etc. Você acredita que exista uma área que seja “mais fácil” ou que as pessoas são mais propensas a seguir?

Karol Jimenez – Não acredito que tenha uma área “mais fácil”, mas acredito que tem áreas que se destacam, por serem mais “fáceis de relacionar”. A área de criação, por exemplo, é sempre uma área que todos “entendem/conhecem”. Inclusive é uma área que traz essa “criatividade” comentada na questão anterior. Mas eu vejo que muitos possuem vontade de seguir outras áreas sem ser a de criação, mas entendem pouco, quais são essas outras áreas? Quais as infinitas possibilidades? E acredito que nem sempre as pessoas entram na área que sonham, inclusive é um conselho que eu sempre dou: “entra na porta que abrir”, se você entende que faz sentido, segue. Se não, você já está lá dentro. Sabe? Mas nem sempre as pessoas possuem essa visão de todas as áreas e possibilidades e acabam se limitando apenas a uma ou outra.

Creativosbr – Na busca do primeiro emprego, muitas pessoas da área têm dificuldade em conseguir um estágio ou uma oportunidade de desenvolver suas habilidades, principalmente as mulheres. Você, como mulher e publicitária, teve dificuldades em ingressar no mercado de trabalho?

Karol Jimenez – Sem dúvidas. Eu tenho minha formação na cidade de Santos e na época morava em Peruíbe, uma cidade menor ainda. Eu não fiz estágio em agências ou empresas maiores, fiz estágio onde eu podia, que era na Prefeitura da cidade de Peruíbe. Fui em busca de oportunidades no mercado, quando estava formada e, ainda assim, sem experiência suficiente para ser uma “assistente”. Consegui essa oportunidade de forma incansável (foram MUITOS não´s) e sempre colocando como um peso maior o meu sonho. Além de sempre transformar obstáculos que me davam em “brilhos nos olhos”.

Creativosbr – Em seu Instagram @serpublicitaria, você se define como uma pessoa movida pela troca, e no nosso mercado, a troca é algo fundamental para que as relações se fortaleçam e os aprendizados aconteçam. O que você aprendeu e aprende com essa troca no seu dia a dia como publicitária?

Karol Jimenez – (Que pergunta linda! Rs) Eu aprendi justamente isso, que eu como publicitária não sou seria 1/3 do que sou hoje, se não tivesse perguntado, se não tivesse me jogado independente se eu iria errar ou não, mas principalmente, questionado e contado com a ajuda de outros profissionais. Você como publicitário, precisa entender um pouquinho de tudo e para isso se tornar mais leve e assertivo, por que não perguntar ao colega de outra área? Para o amigo que se senta ao seu lado? Troca experiências, conta o que você faz e tenta entender o que ele faz… e foi exatamente assim, que eu entendo que estou onde estou hoje. As pessoas possuem medo de falar que “não sabem” ou perguntar… e na realidade, ninguém é obrigado a saber de tudo, mas pior é fingir que sabe e não procurar saber, entende?!

Creativosbr – Agora, uma curiosidade. Há alguma área que você adoraria trabalhar, mas ainda não fortaleceu a ideia ou não teve a oportunidade?

Karol Jimenez – Eu sempre sonhei em atuar como planejamento ou mídia, mas portas se abriram de outra forma para mim e comecei como projetos e assim fui traçando minha carreira. Mídia talvez, não. Mas planejamento ainda é uma área que eu gosto demais e vejo que, na minha atuação como marketing, acabo desenvolvendo de certa forma uma atuação como planejamento também. Então é lindo, as coisas vão fluindo e agregando sempre.

Creativosbr – Por último, mas não menos importante, você teria alguma dica, uma mensagem de apoio ou de inspiração para aqueles que estão nessa área ou que podem estar querendo saber mais sobre o mercado/ vida de um publicitário?

Karol Jimenez – Aproveitem o período da faculdade, aproveitem os profissionais que vocês escutam ou conhecem em uma palestra na semana de comunicação, façam conexões, adicione no LinkedIn, siga, busque entender como é esse dia a dia. Consuma notícias, entenda as propagandas ou polêmicas da vez. O que as marcas estão fazendo ou como estão se reinventando? São formas simples de dar grandes passos, veja, o máximo que você precisa aqui é da internet e da sua vontade de chegar cada dia mais perto. Mas o mais importante é: não se frustre com “não”, aprenda com eles. Não tenha medo de errar e mostre o brilho nos olhos e a vontade que você tem de cada dia mais aprender e colaborar.

Creativosbr – Muito Obrigado! Nós da Creativosbr gostaríamos de agradecer por você ter aceitado o convite e respondido as nossas perguntas. Esperamos que você continue com essa carreira maravilhosa e desejamos muita felicidade na sua caminhada!

Karol Jimenez – Ai quanto amor. Fico muito feliz com a oportunidade e lembrança, eu quem agradeço. Inclusive, todas essas questões me serviram de inspiração com o perfil e vou trabalhar na ideia de trazer alguns IGTVs trazendo esses temas, assim vamos sempre mais longe, né? Entendo que as dúvidas de vocês, podem ser a de outros e assim vamos. Obrigada mais uma vez, gosto demais dessas interações e todo sucesso a todos os envolvidos! Contem sempre comigo e vamos juntos.

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Entrevista: Eco Moliterno

CreativosBr – Como você avalia a criatividade publicitária brasileira dos dias atuais e quais seriam as principais diferenças do que produzimos hoje em relação ao que tínhamos dez ou vinte anos atrás?

Eco Moliterno – A criatividade publicitária brasileira, felizmente, continua sendo referência mundial. No entanto, com as mídias todas digitalizadas, as formas de se fazer publicidade hoje são infinitamente maiores do que há dez ou vinte anos – e nesse ponto, infelizmente, ainda estamos anos-luz atrás de países como EUA, Suécia e Japão.

 

CreativosBr – Como é trabalhar com um dos maiores nomes da publicidade, Nizan Guanaes e qual a participação dele no processo criativo das campanhas desenvolvidas para os clientes da Agência Africa?

Eco Moliterno – No final dos anos 90, quando eu ainda era um estudante de publicidade na ECA-USP, jamais imaginaria que um dia fosse duplar com aquele cara que estava ganhando todos os Leões em Cannes na época. E hoje, na Africa, já tive a honra – e a sorte – de fazer isso algumas vezes. O Nizan tem o poder de resumir raciocínios bastante complexos em frases muito simples e diretas, partindo sempre de princípios humanos essenciais para criar conceitos capazes de tocar qualquer um, de qualquer classe social. Com ele, aprendo todos os dias como transformar o óbvio em algo totalmente novo.

 

CreativosBr – Seria ele um de seus ídolos na publicidade? Quais outros nomes você tem como referência na profissão?

Eco Moliterno – Por falar em sorte, eu trabalhei – e ainda trabalho – com algumas das maiores referências do mercado, tanto em direção de arte como em redação. Além de fazer jobs com o Nizan, uma lenda viva da propaganda, minha sala hoje é vizinha à do Ricardo Chester, um dos maiores redatores que o país já teve e pra quem eu tenho a honra de pedir a opinião sobre alguns filmes antes deles irem pro ar. Quando eu era VP de Criação da Wunderman, tive a chance de participar de muitos trabalhos e apresentar algumas concorrências junto com o saudoso Tomás Lorente, na época VP de criação da Y&R e considerado um dos maiores diretores de arte da história da publicidade brasileira. Além de tudo isso, meu chefe hoje, o Sérgio Gordilho, também é um ícone nacional em direção de arte, dono de um refinamento artístico único e de umas das estéticas visuais mais apuradas do mercado. Ou seja, em relação a referências criativas, eu não poderia estar melhor 🙂

 

CreativosBr – Em sua opinião, o que torna uma pessoa criativa? Ócio, lazer e repertório cultural ajudam de alguma forma?

Eco Moliterno – Eu não acredito que uma pessoa se “torna” criativa. Pra mim, ela já nasce assim e apenas vai desenvolvendo sua criatividade ao longo da vida. Para isso, repertório cultural e lazer são, inegavelmente, dois ótimos combustíveis – quanto ao ócio, desde que comecei a trabalhar com publicidade eu não sei mais o que é isso, rs…

 

CreativosBr – Muitos dos leitores do CreativosBr são estudantes de Publicidade ou jovens profissionais que ainda buscam uma primeira
oportunidade na profissão. Quais as dicas que você daria para um estudante que busca uma vaga num departamento de criação de uma grande agência de publicidade?

Eco Moliterno – Por melhor que ela seja, não leve na entrevista apenas a sua pasta. Mostre também pro diretor de criação algo que ele jamais esperaria ver. Algo que não pode ser impresso. Que não é on, nem off. Que nunca foi feito. Que ainda não tem nome. E que não caberia em nenhuma pasta. Em outras palavras: se você quer ser visto, faça o que ninguém nunca viu. Simples – e complexo – assim.

 

CreativosBr – Você criou campanhas de grande repercussão, que se tornaram sucesso na web e que até hoje estão na boca do povo, como por exemplo, a campanha com Joel Santana (Head&Shoulders – P&G), entre outras tantas. Para isso acontecer é necessário que haja uma grande sintonia entre agência e cliente. Até que ponto, os anunciantes estão dispostos a embarcarem no ineditismo muitas vezes proposto pelos criativos das agências?

Eco Moliterno – No momento que vivemos hoje na propaganda – onde os pré-testes e as pesquisas de opinião estão reinando como nunca -, os clientes estão cada vez menos dispostos a arriscar as verbas das mídias ‘tradicionais’ em ações ousadas e inovadoras. Na internet, porém, ainda temos uma liberdade para criar bastante semelhante com a que os criativos tinham nas décadas de 80 e 90 – e aí a parceria entre agência e
cliente é fundamental para viabilizar projetos diferenciados. E somente graças à ótima relação que temos com a P&G, conseguimos colocar no ar projetos como o 
Donti Révi Caspa, pra Head&Shoulders, A Volta do Atchim & Espirro, pra Vick, Vai Amarelar, pra Gillette, e Strip da Gisele, pra Oral-B – ideias que, se não tivessem sido criadas para a internet e para um cliente tão parceiro, dificilmente teriam ido pro ar.

 

CreativosBr –  Muito do que você criou para web acabou sendo posteriormente levado para a TV aberta, de forma adaptada. Porém, anos atrás era nem imaginado que um dia algo criado para internet pudesse, somente depois, ganhar espaço na TV. Quais as principais diferenças de criar para web e para TV? É difícil ser um criativo digital num mercado em que a TV aberta ainda possui mais de 60% dos investimentos em mídia?

Eco Moliterno – A maior dificuldade para um criativo digital – mais do que o investimento em mídia – é, sem dúvida, ser considerado apenas um criativo digital. Vivemos hoje um momento de convergência das mídias onde qualquer profissional rotulado como especialista em uma área só está fadado ao fracasso. Eu mesmo já me livrei faz tempo desse fardo, e hoje crio conteúdos para as marcas – que nascem na web e depois vão parar no cinema e na TV. Afinal, é muito mais fácil adaptar um filme interativo para os meios tradicionais do que o caminho inverso.

 

CreativosBr –  Você foi eleito o Profissional de Criação no Caboré 2013. Antes mesmo da premiação, seu nome já era dado nos bastidores como o favorito ao prêmio por todo o trabalho fenomenal desenvolvido ao longo do ano.  Seu discurso na cerimônia de entrega foi bastante comentado e elogiado por inúmeros profissionais do mercado. Falou da nova geração de profissionais e pediu palmas para os outros dois indicados ao prêmio, algo infelizmente pouco comum nos discursos dos vencedores. Você foi o primeiro profissional criativo digital premiado no Caboré. Qual a importância desse prêmio para você e para o mercado criativo digital?

Eco Moliterno – Acho que esse meu prêmio no Caboré é a prova definitiva de que não existem mais barreiras na criação. Fiquei muito honrado em ser o primeiro profissional digital a ganhar a tão desejada coruja, ainda mais concorrendo com dois caras tão talentosos da mesma geração de criativos da qual faço parte – e que abocanharam, recentemente, vários leões de ouro e GP’s em Cannes. Espero essa minha conquista sirva de exemplo pra todos os novos criativos que sonham em um dia ganhar esse reconhecimento e que, quando eles subirem no palco, também peçam
palmas para seus concorrentes. Afinal, a era da rivalidade entre criativos já era.

 

CreativosBr –  Para fechar, a pergunta que todo criativo certamente já respondeu uma vez na vida. Qual campanha publicitária que você
gostaria de ter criado, que você olha e diz: “Caramba, que idéia animal! Queria que fosse minha.”?

Eco Moliterno – Dumb ways to die. Além de ser  brilhante em todos os sentidos (música, letra, arte, animação), tem algo que torna essa peça ainda mais genial: o briefing, além de chato, era dificílimo de resolver. Mas os australianos, brilhantemente, conseguiram transformar esse osso em um
saborosíssimo filé.

 

CreativosBr – O Blog do Crespo agradece sua participação e atenção nessa entrevista que marca os 5 anos de vida do nosso projeto. Parabenizamos por tudo o que tem feito e desejamos ainda mais sucesso para os dias que virão. Um grande abraço de toda a equipe. 

Eco Moliterno – Eu que agradeço a oportunidade. E parabéns pelos 5 anos! Abs! 

 

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Entrevistas

Entrevista: Amadeu Nogueira

 

CreativosBr – Como você avalia o ensino da Mídia nas Universidades? Em sua opinião, a grade curricular da disciplina é de qualidade e está alinhada  com a exigência do mercado atual?

Amadeu Nogueira – A grande dificuldade da prática de mídia é a ausência de pesquisa de mídia nos ambientes universitários. A prática mesmo profissionalmente é tão mais eficiente quanto for o embasamento de pesquisa seja ela de qualquer fonte confiável. É difícil praticar dentro das universidades sem os estudos regulares do mercado. Melhorou muito até porque o Marplan e Ibope tem colocado alguns estudos básicos em algumas das escolas mas o universo é bem maior de escolas e de alunos.

CreativosBr – Qual o interesse dos estudantes do curso de Publicidade pelos departamentos de mídia das agências?

Amadeu Nogueira Felizmente o quadro tem tido uma mudança. Antes, quase nenhum aluno tinha interesse pela área, todos praticamente queriam criação, agora entenderam que mídia é Planejamento, e mais do que isso, planejamento estratégico de contatos.

CreativosBr – Neste longo tempo na atividade de docente, você lecionou para alunos que se tornaram grandes nomes do cenário nacional e até mundial da propaganda. É possível identificar ainda na faculdade, essas “joias raras” que muito possivelmente irão se destacar na profissão? Qual o perfil desses “diferenciados”? Gostaria que falasse um pouco a respeito.

Amadeu Nogueira – Realmente dar aulas é uma experiência incrível. Parece que quem mais aprende é quem ensina. No ambiente da classe fica evidente o sucesso profissional quando o aluno “de fato” participa da aula. É aquele questionador, participante que se dará bem no mercado. Tirar nota alta não significa mais sucesso. Pode identificar o aluno que estuda mas a nota verdadeira é dada pelo mercado ou pela vida. Essa nota vai depender do interesse que nasce quando ainda aluno.

CreativosBr – A Prova de Certificação do Grupo de Mídia de São Paulo está no quarto ano e por ela já passaram centenas de profissionais. Porém da mesma forma, que muitos elogiaram a iniciativa, muitos outros profissionais reclamaram deste “atestado” de conhecimento para aqueles que já atuam no mercado. Você é a favor da Prova de Certificação de Mídia?

Amadeu Nogueira – Eu acredito que a certificação pode contribuir até mesmo para demonstrar quem não está preparado plenamente. Na certificação existe o contato com pessoas do mercado que fazem parte do Grupo de Mídia e que são profissionais altamente qualificados. Lembro-me que quando comecei a ter contato com o planejamento de televisão e o GRP era algo desconhecido ou novo no mercado, embora já tivesse feito o curso de comunicação, fui aprender num curso da APP feito pelo Otávio Florisbal que acontecia muito cedo uma vez por semana e que me demonstrou não só o que era o tal GRP mas como adaptá-lo a realidade do mercado brasileiro, algo que só poderia ser exemplificado por um profissional do nível do Otávio.

CreativosBr – Você sempre foi um defensor do rádio e até recentemente escreveu um livro a respeito. Embora o meio tenha se mantido estável no que diz respeito ao faturamento, o rádio não consegue aumentar o seu share de investimento ano após ano, em nosso país. Você acredita que a nova maneira de consumir mídia nas grandes cidades, e principalmente dos jovens, seja o principal motivo?

Amadeu Nogueira – Eu acredito mas não tenho a certeza é muito difícil concluir principalmente para o público jovem que ficou multimeios, multiatitudes e multiinovadores. Se o rádio também for inovador no formato de contato com o público jovem também existirá uma nova oportunidade do jovem participar. O rádio não é mais só o aparelho é um som que pode estar em inúmeras plataformas.

 

CreativosBr – Recentemente, proprietários das principais emissoras de rádio do país se reuniram para discutir a o meio e uma das conclusões a que chegaram foi de que há uma necessidade na revisão das pesquisas e processos que norteiam os trabalhos do meio. Entre os profissionais, é unânime a reclamação de que as atuais pesquisas de audiência, distorcem o real alcance dos veículos, por não considerarem o consumo do meio nas plataformas digitais. Você concorda que com a aferição da audiência digital, o mercado daria maior atenção ao meio e poderia então, voltar a atrair maiores investimentos para o rádio?

Amadeu Nogueira – O rádio tem o problema crônico de pesquisa. Não são feitas boas pesquisas porque poucos compram ou compram esporadicamente. Os institutos aprimoram tudo que tem demanda. Essa é a oportunidade de mercado. Se não se compra pesquisa também não se pode aprimorar. O rádio já teve boas pesquisas e regulares mas hoje em dia o que vemos são compras isoladas e, se for fora de SP então são pesquisas semestrais ou anuais. Uma coisa leva a outra.

 

CreativosBr – Em sua opinião, o próprio rádio precisa se auto-avaliar? Você acredita que falte ao meio se modernizar, buscar novas oportunidades para atrair antigos e até novos anunciantes? 

Amadeu Nogueira – Todo o meio de comunicação deve fazer sua auto avaliação se possível toda semana, para analisar, conferir e criar novas oportunidades. O rádio em novas plataformas pode atrair anunciantes da mesma forma que essas plataformas alcançam consumidores. É preciso estar dentro delas.

 

CreativosBr – Recentemente foi lançado o livro “Jornalismo e Publicidade no Rádio – como fazer” escrito por ti em parceria com a jornalista Roseann Kennedy. É possível realmente quebrar o paradigma do distanciamento e fazer departamentos de
jornalismo e comercial trabalharem juntos dentro de uma rádio? Conte um
pouco sobre o que pretende o livro e a quem se destina.

Amadeu Nogueira – A idéia do livro surgiu para resolver duas situações dos cursos de comunicação: Os alunos de jornalismo não tinham contato com a estrutura comercial que envolvem as emissoras de rádio e o inverso é válido, os alunos de cursos de
publicidade pouco conhecem do funcionamento do jornalismo dentro do contexto editorial das emissoras. A Roseann teve experiência com seus alunos de jornalismo e ao juntar-nos percebi o quanto seria importante para o pessoal de propaganda. Acho que o livro esclarece esse objetivo principal e demonstra o quanto o jornalismo pode ser melhor aproveitado no sentido de ser o difusor deboas notícias dos produtos, marcas e serviços. Com a experiência do livro e com o entendimento que tive na visão da Roseann, percebi o quanto o jornalismo pode ser aproveitado como formato
de contato até mesmo para o trabalho de difusão de assessoria de imprensa, dentro das emissoras sem perder o brilho da notícia. Quanto ao paradigma dentro das emissoras hoje em dia diminuiu muito, e a tendência é dessas áreas estarem próximas para assuntos específicos de divulgação de editoriais que agradem ao ouvinte. 

CreativosBr – Em seu extenso currículo como profissional, gostaria de citar a inédita promoção JuntaBrasil, criada em 2003 em parceria com a agência  McCann Erickson (hoje W/McCann) para a Nestlé, em comemoração dos seus 80 anos no Brasil. Foi a primeira vez que emissoras e apresentadores concorrentes se uniram em prol de uma marca. Conte um pouco para nossos leitores sobre essa que é considerada por muitos, a maior promoção em TV que já ocorreu em nosso país.

Amadeu Nogueira – A promoção Junta Brasil  embora seja antiga com resultados de cartas colocadas no correio, pagas pelo consumidor para participar é um clássico da mídia porque juntos meios, veículos e pessoas em torno do próprio “slogan” da campanha que era juntar, juntar embalagens, juntar mídias, juntar apresentadores e artistas e colaborar com o programa fome zero porque quando o ganhador recebeu a sua casa, o mesmo valor foi doado para instituições sociais. Nesse sentido todos gostaram de participar e as emissoras de TV grandes canais aceitaram essa junção de comunicação na mídia. Nessa campanha havia um outro fato espetacular que era a entrada da Hebe por exemplo dentro do programa da Ana Maria Braga de manhã na Globo que, por sua vez entrava no programa da Hebe de noite no SBT. O lançamento foi feito juntando Faustão e GUGU em duas emissoras diferentes mas a junção aconteceu em tdos os sentidos. Para exemplificar, fora da tv,  em emissoras de rádio foi feita a mesma coisa. Nós utilizávamos o locutor de SP em emissora de SP falando por exemplo com locutores e emissoras do nordeste. Diariamente eles entravam simultaneamente no ar para falar e entrevistas ganhadores locais que faziam parte do programa que existia ao vivo.

CreativosBr – Prof. Amadeu, o Blog do Crespo agradece sua atenção em responder detalhadamente cada uma das perguntas e deseja um excelente 2014. Um abraço e mais uma vez, obrigado.

 

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Entrevistas

Entrevista: Marcelo Passos

CreativosBr – É notório que o profissional de atendimento vem ganhando cada vez mais relevância no contexto da publicidade. O Grupo de Atendimento surge a partir desta ideia?

Marcelo Passos – O GA surgiu do paradoxo de que, ao olhar para as grandes lideranças do mercado de agências de
publicidade, seus presidentes e dirigentes, e as novas lideranças nas mesmas agências, observa-se que sempre há um profissional neste comando que veio do departamento de atendimento, o que demonstra a força da área. Em contrapartida,
essas mesmas lideranças, quando precisam contratar novos atendimentos para suas equipes, encontram enorme dificuldade para identificar profissionais devidamente preparados, treinados e prontos para comandar grupos de contas e, por fim, ajudar a própria agência no negócio dela. O atendimento era a única área da publicidade que não tinha uma entidade que a representasse, pois há o Clube de Criação, para os criativos; o Grupo de Planejamento, para os planejadores; e o Grupo de Mídia, para os profissionais de mídia.

CreativosBr – No lançamento do Grupo de Atendimento muito foi dito sobre a importância de se ter foco na
formação e aprimoramento dos profissionais. Em sua opinião, o que falta ao profissional de atendimento atual?

Marcelo Passos – O GA chega empunhando a bandeira de promover a capacitação profissional, por meio de
cursos e treinamentos, a fim de preparar melhor aqueles que se posicionam como líderes de negócios dentro de suas agências e também junto a seus clientes. São gestores que entendem de maneira completa quais são as necessidades de comunicação
de seus parceiros anunciantes. Com isso, consegue encaminhá-las de forma que todos ganham: suas próprias agências e as empresas para as quais elas atuam. E fazer um anunciante feliz com os resultados de seus investimentos em marketing é o principal combustível que move a indústria da comunicação. Para começar a colaborar efetivamente para a formação profissional, por meio de cursos de especialização e palestras de conteúdo relevante à atividade, o Grupo de Atendimento lançará dois cursos, um em cada semestre deste ano, criados com a meta de promover o aprimoramento da qualificação em negócios desses profissionais. Cada curso terá duração de três meses. A primeira iniciativa do Grupo de Atendimento será a realização de cursos com início previsto para abril. Os programas de capacitação acontecerão nas dependências da FAAP. Cada módulo do curso será apresentado em três horas, sendo cada hora com um profissional diferente: um convidado de outra área, como o Major Miranda, que foi responsável pela negociação durante o sequestro do apresentador Silvio Santos, em 2001; um grande nome da área de atendimento, que colocará vínculos práticos do dia a dia da profissão; e, por fim, uma aula prática, com
exercícios em grupo. Os temas das aulas serão negociação, administração de crise, gestão de pessoas, liderança e técnicas de apresentação e venda.

CreativosBr – Em sua última coluna na Revista Meio e Mensagem, a jornalista Regina Augusto fala da
dificuldade de se encontrar jovens talentos que queiram atuar no Atendimento, uma vez que hoje, o leque de possibilidades é muito maior dentro do mercado. Você concorda com essa afirmação? Qual sua opinião sobre o assunto?

Marcelo Passos – Há muita gente querendo atuar na área de atendimento, mas há a necessidade de se estimular a
permanência dos profissionais nessa atividade, pois a dificuldade de evoluir na profissão é maior, já que, até o momento, tudo o que o profissional de atendimento aprendeu foi na prática de sua atividade profissional. O GA surge para ser um polo de apoio à atividade de atendimento, um centro de aprimoramento profissional aos que escolheram essa área de atuação nas agências, um incentivador às ideias e ao conhecimento. Acho que, bem estimuladas e apoiadas, quem entra para o atendimento não vai se sentir tão às cegas, ou seja, poderá contar com o apoio ao seu desenvolvimento profissional além daquele aprendizado em seu dia a dia de trabalho. A história do atendimento está começando a mudar, para melhor, com o surgimento do GA.

 

CreativosBr – Existe uma previsão de quando serão ministrados os primeiros cursos do Grupo de Atendimento? Estudantes universitários de Publicidade e Propaganda, ainda em formação, poderão se inscrever nesses cursos, como ocorre no Grupo de Mídia, por exemplo?

Marcelo Passos – Os cursos são direcionados a todos os profissionais do mercado publicitário, inclusive
aqueles que ainda estão em formação. Para 2013, temos a previsão de duas
turmas, uma a cada semestre. Com duas aulas semanais, ministradas na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), os
cursos têm duração média de três meses cada.
CreativosBr – Como você enxerga o ensino da disciplina “Atendimento Publicitário” dentro dos cursos de
graduação? O Grupo de Atendimento pretende atuar nesse sentido junto às faculdades?

Marcelo Passos – Seria um grande passo para as faculdades de publicidade. É importante que tanto estudantes, quanto
educadores, entendam a necessidade deste profissional. É preciso reformular uma imagem equivocada que existe de que o profissional de atendimento publicitário é uma espécie de “faz-tudo”. O Grupo de Atendimento irá atuar em parceria com as
faculdades para que haja melhorias na área.

 

CreativosBr – De que forma, os interessados em fazer parte ou participar de eventos promovidos pelo Grupo de Atendimento podem contatá-los?

Marcelo Passos – Primeiramente precisarão se associar ao Grupo de Atendimento. Os eventos, cursos e demais atividades do GA terão como prioridades a participação de seus sócios. Depois, se houver vagas para não sócios, nos as abriremos, mas com custos bem diferentes (mais altos) do que aqueles praticados aos associados.

 

CreativosBr – O Blog do Crespo agradece demais a entrevista concedida, desejando os parabéns pela conquista e principalmente muito boa sorte ao Grupo de Atendimento, que em muito engrandece o nosso
mercado. Obrigado.

Marcelo Passos – O Grupo de Atendimento agradece pela oportunidade de poder mostrar a que veio, poder contar com a força do Blog do Crespo para difundir seus princípios de atuação, seu trabalho visando o aprimoramento do profissional de atendimento e de toda a atividade publicitária.

 

 

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Entrevistas

Entrevista: Sérgio Valente

CreativosBr – Pouca gente sabe, mas Sérgio Valente é formado em Engenharia Civil, não é isso? Conte um pouco aos leitores do Blog do Crespo como esse ‘cara’ foi parar no mundo da Propaganda. 

Sérgio Valente – Rapaz, essa história é realmente longa, mas vou tentar resumir. Eu nasci na Bahia e minha família não tinha muita grana. Não tem drama nisso, a questão é que a vida era difícil e eu queria mudar essa situação. E na Bahia daquele tempo, para se ganhar dinheiro, ou você se tornava médico, advogado ou engenheiro. Eu não queria ser médico, nem advogado e aproveitando que meu tio tinha uma construtora, resolvi fazer Engenharia. Chguei a construir um prédio – que ainda está de pé – mas, a verdade é que eu gostava mais de vender apartamentos do que de construí-los. Nessa época, eu já ganhava um dinheiro compondo música e tocando na noite. Um certo dia, resolvi que Engenharia não era a minha e aí recomecei a vida para ser publicitário. Eu estava decidido. Trabalhei duro, fiz carreira na Bahia, vim para São Paulo, recomecerei de novo e aqui estou eu.

 

CreativosBr –  Desde 2005, você ocupa o cargo de Presidente de uma das agências mais premiadas e importantes do Brasil. A DM9 foi e é uma agência importante na formação de grandes nomes do atual cenário da Propaganda e desejada por jovens profissionais. Neste ano, a agência atingiu a incrível marca de 100 leões conquistados em Cannes. Em sua opinião, o que tem a DM9 de diferente das demais agências?

Sérgio Valente – Acho que o que faz a DM9 diferente das demais é um mix de coisas. O nosso DNA, nosso jeito, nossa cultura. A DM9 tem personalidade, tem um jeito próprio de trabalhar que traz um pouco de inconformismo, de paixão pela propaganda, de sangue nos olhos. Então, a cultura da DM9 é um diferencial. E o outro sem dúvida, são as pessoas que constroem a DM9 dia após dia. É uma turma que gosta de trabalhar em turma e o nosso “turma” não tem um significado de um grupo fechado, mas sim de trabalho em equipe de gente que gosta de formar gente e que sabe que nenhum gênio é melhor do que um grupo de pessoas.

 

CreativosBr – Palestras com profissionais de atuações diferentes, home office e até feijoada. Em sua gestão à frente da DM9, são inúmeras ações em prol da valorização e reconhecimento do profissional que atua na agência. Num mercado tão “pesado” como é o nosso, em que se trabalha arduamente, em finais de semana e muitas vezes até tarde da noite, qual a importância de programas desse tipo na vida dos funcionários e até mesmo da agência?

Sérgio Valente – Bem, eu não acho que o nosso mercado seja “pesado”. Acho que é uma profissão escolhida por gente que gosta de trabalhar e que pensa o tempo todo de uma maneira diferente. Até porque não dá pra você ser criativo só das 9h às 18h. Quem trabalha com ideias, em que a oportunidade é o alimento para a criatividade, está ligado 24h por dia. Agora, isso não significa que você precisa trabalhar 24h por dia. Para conseguir aproveitar as oportunidades é preciso alimentar a alma, é preciso viver. É este alimento que procuro oferecer aos talentos da DM9. Vivo dizendo para as pessoas chegarem às 9h en ponto na DM9. Faço isso porque odeio ver gente trabalhando de noite, de madrugada e nos fins de semana. Quem não vai ao cinema, não se diverte, não dá risada, não vive, não consegue ser criativo.

 

CreativosBr – O Blog do Crespo possui um grande número de leitores que são estudantes de Publicidade e Propaganda ou ainda recém formados na área. Você é um profissional que possui um contato muito próximo com esse público, dando-lhes atenção, respondendo perguntas e até palestrando em Universidades. Porém, sabe-se de um “abismo” existente entre academia e mercado. Qual sua visão a respeito? O mercado não tem interesse em se aproximar das Universidades?

Sérgio Valente – Tem sim, e acho que a academia e o mercado estão cada vez mais próximos. Agora é preciso entender que a academia é a hora de construir uma base teórica, de estudar conceitos, de formar a base do profissional. E o mercado, é a hora de colocar a mão na massa, de trabalhar. Cada coisa tem seu tempo. São duas etapas importantes e necessárias. Agora, aqueles períodos de junção das duas etapas, quando a academia facilita o ingresso do estudante no mercado, e quando o mercado estimula o profissional a estudar, a se reciclar são também muito importantes. E isso acontece.

 

CreativosBr – A DM9 possui um programa de atendimento aos estudantes de Publicidade que queiram conhecer a agência? Como isso funciona?

Sérgio Valente – É o seguinte: sempre acreditamos que visitar a agência por visitar não leva a lugar nenhum. Então, estruturamos um programa de visita guiada. O estudante, e aí é preciso estar na faculdade para que haja realmente um aprendizado, manda um email para visitas@dm9ddb.com.br. Nosso pessoal entra em contato e agenda uma visita. Ao chegar na DM9, o grupo assiste uma apresentação que traz um pouco da nossa história, do nosso jeito de trabalhar, dos nossos trabalhos. Depois disso, os estudantes vão para o campo. Eles passam por toda a agência conhecendo cada departamento e aprendendo como é o fluxo de trabalho de uma área com a outra. Esse foi o jeito que encontramos, por exemplo, de aumentar a interface da nossa rotina com a academia. Por uma questão de aproveitamento de tempo e informações, as visitas acontecem 3 vezes por mês: nos dias 9, 19 e 29. Por isso, algumas vezes, há uma certa espera entre o primeiro contato e a visita. Mas, sempre atendemos todo mundo.

 

CreativosBr – Diploma na mão, um curso de inglês não concluído no exterior e sem experiência no mercado. Mais ou menos desta forma, milhares de novos profissionais recém formados chegam ao mercado todos os anos. Como esse jovem deve buscar a diferenciação e se enquadrar no perfil de profissional que busca uma grande agência de publicidade?

Sérgio Valente – Acho que é preciso mirar alto e começar pequeno. Cara, se você quer ser presidente da DM9, acredite, trabalhe, que um dia você será. O caminho é longo e desafiador, muita gente acaba desistindo ou mudando de rumo no meio do caminho e aí acho que o diferencial é a persistência de cada um.

 

CreativosBr – Em 25 anos de profissão são inúmeros trabalhos memoráveis de que fez parte, vários prêmios conquistados. Pergunto: o que falta mais ao Sérgio Valente dentro da Publicidade?

Sérgio Valente – Muita coisa. Se eu tivesse conquistado tudo que quero, eu estaria aposentado. E vou te falar que estou longe disso. Agora, o que falta ainda fazer, só conto depois que eu tiver feito…

 

CreativosBr –  Sérgio Valente está no Facebook e no Twitter. Participa de mais alguma outra rede social? Você é mesmo um aficionado por redes sociais? Aproveitando o tema, como você enxerga essas ferramentas como canais de contato de anunciantes com seus consumidores?

Sérgio Valente – Eu sou aficonado por tecnologia, por conhecimento, por comportamento. Curto muito estar nas redes. E se eu te falar que é só porque é importante para a minha profissão, eu estarei dizendo meia verdade. Eu gosto de me comunicar, de compartilhar, de estar perto das pessoas de quem gosto e que gostam de mim. A tecnologia permite isso. Acho o máximo usar o Skype para falar com minha filha, de trocar mensagens com estudantes pelo Facebook, de conhecer pessoas pelo Twitter. Fazendo tudo isso, também vou estudando as reações das pessoas, as utilidades das ferramentas e isso é matéria-prima para o meu trabalho. E isso me permite te responder sua outra pergunta: acho que quando as marcas conseguem usar as ferramentas dentro de suas características para se comunicar com a mensagem que faz sentido ao consumidor naquela plataforma, no momento do contato, a marca cria uma relação de confiança muito rica e uma experiência de marca que fará diferença para o consumidor.

 

CreativosBr – Sérgio, o Blog do Crespo agradece demais por ter concedido esta entrevista. Parabéns ao excelente trabalho que vem desenvolvendo à frente da DM9!

Sérgio Valente – Obrigado. O prazer foi meu. Ah, aproveita e anota: @sergio_valente.

 

Entrevista concedida ao Blog do Crespo no dia 13 de Novembro de 2012. Todos os direitos reservados ao Blog do Crespo.

 

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Entrevistas

Entrevista: Victor Lymberopoulos

CreativosBr – Em menos de 1 (um) ano de vida, o Mídia Publicitária se tornou um sucesso na internet e hoje, somente no Facebook, possui mais de 137 mil likes, fazendo inveja à muita grande marca por aí. Como surgiu a ideia de criar o  Mídia Publicitária e a que se deve esse sucesso tão rápido?   

Victor Lymberopoulos –  O Mídia Publicitária surgiu com a ideia de proporcionar aos estudantes, uma forma diferente de aprender, se tornando uma extensão da própria faculdade, pois muitos universitários sentem a necessidade de entender
mais sobre o que eles irão encontrar futuramente. As faculdades possuem uma certa deficiência para apresentar o “mundo da publicidade”. Esse foi o maior objetivo para criá-lo. O sucesso rápido veio com a força de vontade de querer fazer algo diferente e marcante, além de não ter medo de arriscar. O ramo da comunicação é muito grande e felizmente o conteúdo de qualidade é propagado de forma rápida. Esse foi o lema desde o início: “Criar algo que se tornasse eterno e merecedor de resultados positivos”.

 

CreativosBr – Como funciona o Mídia Publicitária na questão de conteúdo? Quantas pessoas escrevem e quais os requisitos que essas pessoas devem ter para ser um redator do site. São todos estudantes, é isso?

Victor Lymberopoulos – Nós tentamos colocar sempre conteúdos originais e atualizados no blog, pois notícias comuns nós vemos em muitos outros e queremos ser diferentes. Atualmente nossa equipe é formada por 25 pessoas divididas em: redatores, diagramadores, designers, revisores e administradores. Sim, são todos estudantes, pois foi a forma que encontramos de falar mais “a fundo” com o público-alvo.

 

CreativosBr – De forma geral, infelizmente os estudantes de Publicidade e Propaganda são esquecidos pelo mercado publicitário. Existe pouquíssima abertura para esses estudantes que buscam uma primeira oportunidade de trabalho. O Blog do Crespo inclusive, procura diminuir esse “abismo” existente entre
academia e mercado. Você acredita que o Mídia Publicitária seja uma forma de unir esses profissionais ainda em formação, com muita vontade, mas que ainda são “rejeitados” pelo mercado?

Victor Lymberopoulos –  Nós tentamos atuar por várias linhas de frente no Mídia Publicitária. Emprego somado à falta de experiência era uma barreira que não estávamos conseguindo ultrapassar. Porém, algumas semanas atrás criamos uma
página chamada “Get Me Jobs” (link: http://www.facebook.com/GetMeAJobs), onde colocamos diariamente vagas de emprego para todos. Enfim, acreditamos que a falta de experiência não seja um problema muito grande para as vagas de estágios, pois afinal de contas, o estudante estará lá para aprender.

 

CreativosBr – Temos notado que vocês procuram interação a todo momento com seus fãs. Qual a importância
de se estabelecer esse tipo de contato com seu público?

Victor Lymberopoulos – Nós temos a ideologia que o público gosta de se comunicar com outras pessoas e não como um robô. Por isso, tentamos deixar uma linguagem bem dinâmica nas mensagens, utilizando “rostinhos”  e afins, tudo isso para
deixar o público ainda mais próximo de nós. Utilizamos ainda outras ações, como promoções, enquetes, debates, além do chat que criamos para tirar dúvidas.

 

CreativosBr – Quais as maiores angústias e dúvidas deste estudante que está em busca de “um lugar ao Sol”?

Victor Lymberopoulos – Acredito que como todo estudante, ainda sinto o medo do que irá acontecer futuramente em relação às metas, objetivos, “lugar ao Sol”, etc, pois minha vida muda todos os dias seja com uma nova palestra agendada ou uma entrevista realizada. O medo aparece sempre que preciso arriscar em alguma decisão, mas a aprendi a lidar com ele e se o medo não existisse, eu não teria tanta determinação para alcançar meus objetivos. Existe uma frase que gosto muito e gostaria aqui de compartilhar com vocês: “Faça sempre o que tiver medo de fazer” – Ralph Emerson. E por fim, para sanar essas dúvidas e angústias, tento me lembrar de que meus esforços serão recompensados e que tudo que eu fizer de bom hoje, poderei colher amanhã. Isso me motiva e me faz querer melhorar sempre.

 

CreativosBr – Como lidar com os pedidos de posts pagos que provavelmente surgem a todo momento, por conta do sucesso de vocês? Qual a política do Mídia Publicitária nesse sentido?

Victor Lymberopoulos –  Post pago é uma coisa até que simples, pois normalmente os clientes possuem uma ideia bem exata do que deseja. Quando isso não ocorre, nós fazemos o papel de agência e ajudamos. Porém, nós só postamos aquilo que
realmente acreditamos, pois não adiantaria mentirmos em uma postagem. Nosso público é mais valioso do que qualquer dinheiro. Além de serem o combustível do Mídia Publicitária, claro!

 

CreativosBr – Como o mercado de agências tem encarado o trabalho de vocês? Ao Mídia Publicitária, interessa um maior envolvimento com o mercado ou a ideia é mesmo ser um espaço voltado ao estudante e ponto final?

Victor Lymberopoulos – Nós queremos ter um envolvimento maior com o mercado sim, tanto que estamos patrocinando eventos enormes de comunicação, pois asism conseguiremos juntar um portfólio grande para ações futuras que acontecerão com o Mídia Publicitária. As agências são parceiras de noso site, pois nosso objetivo é apresentar conteúdo relevante e nada melhor que mostrar as ações de comunicação do nosso próprio país, certo? Nosso e-mail vive lotado de recados de agências que criaram campanhas ou que nos dão sugestões para o aperfeiçoamento do site.

 

CreativosBr – Além do site, o Mídia Publicitária também está presente no Twitter e no Facebook, certo? Vocês possuem seguidores de todo o Brasil e até do exterior. Recentemente, lançaram a primeira edição da revista
digital. Como foi essa experiência e o que vem mais por aí?

Victor Lymberopoulos – As redes sociais são ferramentas importantes para quem precisa propagar notícias e acredito que estamos fazendo um bom trabalho nesse sentido, mostrando que um blog pode ser mais que conteúdo. No começo de Setembro, lançamos a Revista Mídia Publicitária que superou as nossas expectativas de todas as formas, chegando em 9 mil views e mais de 4 mil downloads, três vezes mais do que o planejado.

 

CreativosBr – Nesta semana, você iniciou uma nova etapa em sua vida profissional, com o lançamento da Agência Loovus. Conte um pouco para nossos leitores, a proposta de sua agência, qual será o ramo de atuação dela e como contatá-la caso algum leitor se interesse.

Victor Lymberopoulos – A Agência Loovus surgiu com a ideia de ser uma agência diferente, que preza a ligação entre agência/cliente/usuário. Temos nossos meios de comunicação pessoais e personificamos a agência, proporcionando a
interação com pessoas que não irão utilizar nosso trabalho, mas que podem nos indicar a qualquer amigo, familiar, chefe, etc. Com uma ação da própria agência, criamos o “Diário de uma agência” (http://diariodeumaagencia.tumblr.com/) que arrecadou 2 mil visitas e 900 likes (http://facebook.com/diariodeumaagencia) em menos de 36 horas. A idéia é mostrar o dia a dia de uma agência nova, com pouca experiência em seu currículo, mas com uma vontade enorme de se tornar umas das maiores do país.

 

CeeativosBr – O Mídia Publicitária e o Blog do Crespo anunciaram hoje uma parceria. Para o grande número de leitores de ambos sites, o que você diria que teremos com essa parceria? O que esses leitores podem esperar daqui por diante?

Victor Lymberopoulos – Tanto o Mídia Publicitária quanto o Blog do Crespo possuem públicos bem alternativos, dispostos a terem novas experiências para completarem sua vontade de aprendizado. Com isso, acredito que ambos se completarão,
fornecendo conteúdo de primeira qualidade, além de grande interação que ambos vem fazendo em suas respectivas páginas. As novidades nunca podem parar e projetos deverão ser desenvolvidos em conjunto. Quem sabe alguma coisa grande pode vir? (clima de suspense)

 

CreativosBr – Como surgiu essa ideia de fazer uma parceria com o Blog do Crespo?

Victor Lymberopoulos – Conheci o Filipe Crespo por uma entrevista que ele concedeu ao Mídia Publicitária e hoje estamos nós aqui, fazendo uma parceria. A força de vontade de ambos é clara e eu gosto de fazer parcerias com pessoas que possuem o mesmo ânimo que eu. Encontrei o Filipe e fechamos a parceria após ambos demonstrarem interesse, Incrível!

 

CreativosBr – Com a parceria feita, convide então os leitores do Blog do Crespo, que por ventura, ainda não conhecem o Mídia Publicitária, a estarem com vocês, também!

Victor Lymberopoulos – Primeiramente gostaria de agradecer ao Filipe Crespo pela oportunidade concedida de proporcionar a mim e ao blog Mídia Publicitária, uma maior abrangência. E gostaria de convidar a todos para fazer uma visitinha no blog http://midiapublicitaria.com/ e na fanpage http://facebook.com/MidiaPublicitaria. Temos um conteúdo bem
interessante e queremos que nossa ideia de ajudar os universitários cresça ainda mais, proporcionando uma nova geração e ao mercado de trabalho, melhores profissionais. Obrigado.

 

CreativosBr – O Blog do Crespo, que reconhece e admira bastante o trabalho de vocês, agradece a oportunidade da parceria e também o fato de ter nos concedido esta entrevista. Um grande abraço e até a próxima.

 

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Entrevistas

Entrevista: Prof. Me. Adélio (Lelo) Brito

 

 

Em continuidade aos posts sobre a 13. Semana de Publicidade da PUC-SP, o Blog do Crespo traz hoje para seus leitores, uma entrevista com o Professor Adélio (Lelo) Brito, um grande amigo que hoje, está a frente da AgênciaPUC, que é responsável pela organização do evento.

Além de professor na PUC-São Paulo, Lelo também leciona na FAAP e na UniSant´Anna. Possui ainda uma vasta experiência no mercado de anunciante, agência e veículo.

Desta vez, ele nos concede entrevista para falar um pouco da relação faculdade x mercado de trabalho, do seu dia a dia como professor e principalmente sobre a 13. Semana de Publicidade da PUC-SP, que acontece já apartir de Segunda-Feira, dia 10.

Não é porque ele é meu amigo, mas achei as respostas geniais e faz com que pensemos ainda mais sobre o futuro de nossa profissão.

Confiram:

 

Adélio (Lelo) Brito

Quem é ele?

Publicitário (Redator), Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUCSP, MBA pela Universidade Anhembi Morumbi e graduado em Publicidade e Propaganda pela mesma instituição. Coordenador da Agência PUC Comunicação. Professor do curso de Publicidade e Propaganda da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP. Professor do curso de Relações Públicas da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP. Experiência nas áreas de Comunicação e Marketing, com ênfase em Publicidade e Propaganda, tendo atuado como Redator em Agências de Publicidade e, posteriormente, como responsável pelo Marketing de empresas como Ri Happy Brinquedos, Rede TV! e Portugal Telecom (Dedic).

 

Blog do Crespo – Como você avalia o ensino das disciplinas de nossa profissão dentro das Universidades? Se comparado às décadas anteriores, houve alguma mudança na forma como o assunto é abordado dentro da sala de aula?  

Prof. Me. Adélio Brito – Atualmente temos cursos muito bons no ensino de nossa profissão, outros nem tanto, porém é um erro acreditar que apenas as tradicionais têm qualidade. Por exemplo, a Facamp, uma Fundação da Unicamp, tem um curso de Publicidade pequeno, com poucos alunos, mas com uma matriz curricular sensacional, além de excelentes professores. A Coordenação do curso de Publicidade da Uninove tem uma preocupação acima da média com a qualidade, além de promover a pesquisa na área. Ao lado desses dois exemplos, temos as mais tradicionais, como PUC, ESPM, FAAP, Fecap, Mackenzie, Belas Artes, ECA-USP e Cásper Líbero. Para afirmarmos que o ensino da Publicidade tem qualidade, é preciso analisar as instituições que investem nesse ensino, seja em constantes atualizações nas matrizes curriculares, a fim de atender às necessidades do mercado, seja construindo um corpo docente qualificado (que não necessariamente significa títulos). Felizmente, instituições que não seguiam essas duas regras básicas estão se preocupando com isso, já que temos alguns exemplos de cursos que foram fechados ou descredenciados por essa falta de cuidado. Assim, o que eu vejo, pelo menos nas faculdades anteriormente citadas e uma ou duas outras, é que o ensino da Publicidade está entre o padrão para o mercado e um nível que excede tais expectativas. Mas, se comparado às décadas anteriores, algumas coisas não ficaram tão legais. O MEC, periodicamente, determina algumas alterações em relação às cargas horárias dos cursos. De uns anos para cá, a carga mínima do curso de Publicidade diminuiu razoavelmente, tirando o espaço de disciplinas importantes para a nossa formação, como Semiótica (a pura, não as variantes), Estética e Cultura de Massas etc. Os cursos que optaram por seguir o mínimo, pelo menos, tiraram essas e outras disciplinas de suas grades, sendo que os mais tradicionais as mantiveram, por entenderem que o mínimo não é o suficiente. Para piorar a situação, vivemos um momento em que o politicamente correto é superestimado, fazendo com que "se torne necessária" a inclusão nas matrizes de disciplinas como Empreendedorismo, Cidadania, Sustentabilidade etc. Não quero discutir aqui a relevância dessas disciplinas para a formação do cidadão, mas para o Publicitário não fazem falta alguma. Alguns assuntos de cidadania já eram discutidos em Ética e Legislação da Publicidade, mas o que vemos é uma disciplina que está mais preocupada em ensinar a diferença entre papelão e plástico na hora de reciclar. Pode não parecer, mas sou a favor dessas disciplinas na nossa formação, mas como complementares e não como fundamentais. Um outro problema que vejo nessa recente diminuição da carga é a consequente redução da carga da disciplina individualmente. Me lembro de ter tido na faculdade, por exemplo, dois anos de Pesquisa, dois de Redação Publicitária, um ano de Teoria da Comunicação, um de Semiótica e por aí vai. A gente mal tinha tempo de respirar na época, já que Comportamento do Consumidor era uma disciplina, e não um complemento à Pesquisa como vemos em alguns cursos. Por outro lado, temos outras novas disciplinas mais úteis, como Mídias Eletrônicas, Produção Eletrônica, Criação na Web etc. Essas disciplinas, sim, são importantes e relevantes para a formação do Publicitário. Posso afirmar que, atualmente, o ensino de Publicidade não está pior nem melhor, mas bem diferente mesmo. Para algumas coisas, melhor.  

 

Blog do Crespo – Você leciona em grandes universidades na cidade de São Paulo, que é o maior mercado de comunicação do país. Desta forma, pode-se dizer que você prepara e forma os profissionais que hoje chegam às agências de publicidade. Qual a verdadeira pretensão de um estudante do curso de Publicidade e Propaganda, nos dias de hoje? Ainda existe dentro da sala de aula, aquela ambição por trabalhar em grandes agências, busca incessante por prêmios e glamour ou você acredita que tenha havido alguma mudança nesse sentido? A Criação ainda é a preferência dos estudantes?  

Prof. Me. Adélio Brito – Uma coisa que não mudou da minha época de graduando é o fator "nome da faculdade". O mercado ainda favorece os egressos de instituições renomadas ou tradicionais. Outra coisa que não mudou também é o paradigma "É o aluno quem faz o curso". Não é difícil vermos profissionais bem sucedidos vindos de instituições que estão fora do que costumo chamar de "preferencialmente" (por causa daqueles anúncios que dizem "formados 'preferencialmente' pelas faculdades…"). A Anhembi Morumbi, que tem um ótimo curso de Publicidade, mas não figura entre os cursos "preferencialmente", formou o Gustavo Gaion e o Hugo Rodrigues (e eu, claro, hehehehehe!). Eu tive orientados em uma faculdade mais modesta que se deram muito bem também: Marcos Valeta, coordenador de projetos por muitos anos na Rapp Brasil; Jonatas Guedes, diretor de arte premiado por anos seguidos no Profissionais do Ano da Globo; Néia Almeida, que está tocando sua própria agência; entre outros. Independente da instituição em que se formou, o aluno quer é trabalhar em uma grande empresa, seja uma agência, veículo, fornecedor ou cliente. Quanto à área, por incrível que pareça, a coisa é bastante heterogênea e igualmente distribuída. Se fizermos um mapeamento dos meus alunos na PUC, por exemplo, as quantidades de alunos que querem trabalhar em Criação, Mídia, Planejamento, Atendimento, Produção, Depto. de Comunicação e Depto. de Marketing são relativamente iguais. A diferença entre uma e outra é tão pequena que não vale a pena considerar. Agora, quanto àquele desejo de ganhar prêmios, muita coisa mudou. Claro, ainda tem aluno que acha que assim que botar o pé no mercado, vai ganhar Clios, APPs, Cannes e muito dinheiro. É uma minoria. A maioria dos alunos é mais pé no chão, mais pragmática e tem ambições profissionais mais maduras e de longo prazo, como cargos de chefia, altos salários e oportunidades em outros países. Em relação ao eterno brilho da Criação, como disse anteriormente, muita coisa mudou. Ainda há a procura pela área, mas ela divide a atenção com os outros setores da Agência e com fornecedores e clientes. Uma coisa que não disse ainda é que, independente da área, o aluno vive sua escolha mais intensamente do que antes. Essa intensidade, de fato, víamos mais nos criativos, mas atualmente, o menino ou menina que escolhe ser Mídia, por exemplo, devora livros sobre o assunto, se filia mais cedo no Grupo de Mídia e defende calorosamente a importância da sua área, já na academia. E isso é uma coisa muito legal de se ver, pois tenho certeza que veremos essa nova geração, independente da área, resgatar aquele orgulho de ser Publicitário que víamos nos profissionais na década de 1970 e 1980. 

 

Blog do Crespo – No início deste ano, o Sindicato dos Publicitários do Estado de São Paulo publicou uma pesquisa de cargos e salários das principais agências do mercado paulista. Tal atitude foi prontamente repreendida pela SINAPRO e alguns publicitários chegaram a se manifestar contra a publicação, manifestando que se tratava de uma publicação de informações confidenciais das agências. O Sindicato rebateu as críticas, dizendo que tal publicação, entre outras coisas, serve para atender uma lacuna que existe nos estudantes de Publicidade e Propaganda quanto ao assunto. Qual sua opinião à respeito?  

Prof. Me. Adélio Brito – Uma das perguntas mais complicadas de se responder aos alunos é referente à faixa salarial da nossa profissão. Sabemos que ela pode variar de agência para agência, quanto ao tamanho de empresa, quanto à quantidade e tamanho dos clientes etc. Esse estudo, por um lado facilitou a resposta à pergunta recorrente das primeiras aulas no primeiro ano, mas deve ter causado uma saia justa interna nas agências ao expor o gap salarial existente entre os cargos. Pessoalmente, eu acho um assunto meio espinhoso, pois tive uma criação em que um dos dogmas é o de não falar de seu salário, muito menos perguntar quanto o outro ganha. "É falta de educação", dizem meus pais e meus avós. Por isso, até entendo o lado das agências ao criticarem o Sinapro. Infelizmente, não temos (nós brasileiros) maturidade suficiente para entender que a variação dos salários deve ser vista como um estímulo para buscarmos algo sempre melhor. O que o Sinapro fez foi botar mais lenha na fogueira da velha (e ultrapassada) luta entre classes. Pode apostar que vai ter um monte de gente reclamando que trabalha mais e recebe dez vezes menos que o seu superior imediato. Se estivéssemos numa sociedade em que a meritocracia não fosse tão criticada, essa tabela poderia inflamar a ambição de muita gente que já está no mercado. Talvez, esse seja o efeito no tipo de aluno que descrevi anteriormente, pois planeja sua carreira no médio e no longo prazo, além de entender um pouco melhor seu papel no sistema.  

 

Blog do Crespo – Muito se fala em um abismo profundo existente entre o mercado de trabalho e as universidades. Você concorda com essa afirmação e em caso positivo, de quem é a culpa desse distanciamento e à quem não interessa manter esse relacionamento mais estreito?  

Prof. Me. Adélio Brito – Ah! Existe um abismo, mesmo, entre o mercado e a "academia" (como dizem os decanos), mas, nem sempre foi assim. Houve um tempo em que os dois caminhavam de mãos dadas, quando da criação da ESPM. Depois, com o tempo, parece que as agências começaram a sentir um certo receio de se relacionar com as faculdades. Acho que isso é um pouco de culpa dos dois lados. A conversa recorrente do pessoal de mercado é a que os professores são demasiadamente teóricos, não observando os ditames do mercado. Por outro lado, os professores, ao detectar gaps ou inconsistências nas campanhas, criticam, apontando um desrespeito à teoria. Ou seja, professores querem mais teoria na prática da Publicidade, profissionais querem nenhuma, pois atrapalharia a prática, e assim segue a nação publicitária, sem acordo entre as partes. Ainda há uma terceira vertente, da qual nós dois fazemos parte, que é a dos professores que vêm do mercado, que ficam flutuando entre os dois lados e, infelizmente, apanhando dos dois lados. Se há alguém interessado em manter essa situação de distância, não sei. O que sei é que vejo pouca gente dos dois lados se mexendo para mudar isso. Uma tristeza, pois ambos têm a ganhar.  

 

Blog do Crespo – Você desenvolve um trabalho excelente dentro da PUC, através de uma agência laboratório, chamada AgênciaPUC, certo? Explique um pouco aos leitores do Blog do Crespo quais os trabalhos realizados pela AgênciaPUC e qual a importância de uma agência laboratório ou experimental para os alunos da Universidade?  

Prof. Me. Adélio Brito – Primeiramente, obrigado pelo 'excelente'! Eu sou o tipo do cara que quando recebe uma tarefa, faz direito, só isso. Na verdade, se o trabalho é excelente, a responsabilidade é também dos alunos que fazem parte da Agência PUC. Desde a sua criação, em 2005, excelentes alunos do Curso de Publicidade e Propaganda da PUC-SP passaram por ela. Quando assumi a Coordenação, em 2010, a equipe na época era muito boa e meu desafio era dar continuidade àquela tradição de força e qualidade da Agência. À medida que o tempo vai passando, e diversas seleções depois, você passa a identificar, cada vez com mais facilidade, os talentos e isso contribui para essa impressão que você tem da gente. Inicialmente, a agência experimental foi criada para, além de ser a primeira experiência de muitos alunos do curso, atender as necessidades de Comunicação da PUC-SP e seus departamentos. Diferente dos anos anteriores, a Agência, desde 2010, passou a atender clientes externos à instituição, trazendo novos e estimulantes desafios aos estudantes que lá estão. Vale salientar que não deixamos de atender aos nossos clientes internos, o que me levou a aumentar o quadro de colaboradores para 16 alunos, além de reformular a estrutura organizacional da Agência. Antes, eram dois departamentos, que se desdobravam informalmente em sub-áreas: Atendimento/Planejamento e Criação/Produção. Além disso, não havia uma distinção entre redação e direção de arte na Criação, o que fazia com que muitos alunos tivessem uma certa dificuldade em se posicionar dentro da Agência. Atualmente, a Agência PUC tem 3 grandes departamentos: Atendimento, Planejamento e Criação. Além da nova organização, cada um desses departamentos tem funções mais bem definidas. O Atendimento faz prospecções e atende aos clientes da Agência, acompanhando os jobs e fornecendo feedbacks executivos. O Planejamento passou a ter uma importância estratégica na Agência, pois, além de planejar cada um dos jobs, cuida do planejamento estratégico da Agência. A Criação tem 3 duplas, com funções definidas, e um revisor, sendo que todos cuidam da produção das peças.Tudo isso, sempre com a minha supervisão direta, assim como sempre foi com os meus antecessores docentes. Nesses dois anos em que estou na Agência PUC como Coordenador, desenvolvi um carinho especial por ela, pois vi muitos alunos chegarem lá crus, inseguros, mas com muita vontade de aprender, e saírem tarimbados, experientes e confiantes, todos para grandes agências e empresas. Isso, cara, é gratificante demais! Em um mercado cada vez mais exigente, em que se procura "estagiários com experiência", não consigo mais ver um curso de Publicidade, ou de qualquer outra habilitação da Comunicação, sem uma empresa experimental.  

 

Blog do Crespo – Na próxima semana, inicia a 13. Semana de Publicidade da PUC-SP, uma realização da AgênciaPUC com a apoio da Instituição. Explique um pouco para os nossos leitores o que se pode esperar desse evento e qual a importância de eventos como este voltado aos estudantes.  

Prof. Me. Adélio Brito – A Agência PUC organiza o evento desde a 10a. edição e, desde essa época, buscamos atender às expectativas dos alunos e profissionais que frequentam o evento. A partir da 11a. passamos a fazer uma pesquisa para identificar o que o pessoal gostaria de ver como próximo tema. Assim, atendendo ao resultado, o tema da 12a. foi "A Publicidade do outro lado do balcão", pois o pessoal queria escutar os clientes-anunciantes e os profissionais das agências que eram responsáveis por representar o cliente dentro das agências. Já a pesquisa seguinte nos levou ao tema "Inovação na Publicidade". O público está cansado da mesma conversa "Nós ganhamos Cannes, nós somos os melhores". Querem ver o que o mercado está fazendo de diferente, de inovador e fora do batido "viralzinho no Youtube". Assim, escolhemos a dedo profissionais do mercado que tem algo a dizer sobre o assunto. Os alunos dos cursos de Publicidade não se contentam mais só com cases bacanas e histórias mirabolantes de como eles pensaram naquela ideia matadora que rendeu um leão. Posso garantir que os leitores, e quem mais aparecer por lá, terão uma grata surpresa a cada palestra assistida, assim como nas oficinas que preparamos na parte da tarde.  

 

Blog do Crespo – Analisando a programação do evento divulgada nesta semana pelo Blog do Crespo, a 13. Semana de Publicidade trará excelentes profissionais do mercado como Julio Ribeiro, Marcello Magalhães e Eduardo Bicudo.  Como foi a receptividade desses profissionais aos convites que lhes foram feitos?  

Prof. Me. Adélio Brito – A princípio, o pessoal fica um pouco desconfiado, mas todos toparam de imediato. O Julio Ribeiro foi a melhor surpresa! Quem imaginaria que uma lenda da Publicidade toparia logo de início participar da Semana? Alguns nomes, além de bastante receptivos ao convite, se mostraram entusiasmados, outros (pasme) nos procuraram. O que eu posso dizer é que a Semana de Publicidade vem, a cada ano, tomando um vulto cada vez maior e ganhando mais importância, não só interna, mas geral. Para o ano que vem, só para você ter uma ideia, já temos alguns nomes que nos procuraram interessados. Isso mostra que a situação que descrevi na quarta questão pode mudar.  Tenho até medo de soar arrogante, pretensioso e megalomaníaco, mas quero muito que a Semana de Publicidade da PUC-SP se torne um evento referência para a área de Publicidade, ajudando a (re)aproximar o mercado da universidade. Na verdade, gostaria muito de ver esse tipo de iniciativa bombando nas outras faculdades. Aí, sim, a gente teria um cenário bem mais apropriado para essa (re)aproximação.  

 

Blog do Crespo – Quem tiver interessado em participar das palestras ou dos workshops da 13. Semana de Publicidade da PUC-SP, ainda dá tempo? Como a pessoa deve fazer?  

Prof. Me. Adélio Brito – Ainda há vagas, mas poucas. Limitamos 30 vagas para cada e logo que abrimos as inscrições batemos mais de 50 inscrições. Até a quinta-feira antes do feriado, tínhamos umas duas ou três vagas. Neste ano, como teste, programamos apenas duas oficinas. A julgar pelo sucesso das inscrições, com certeza repetiremos as oficinas, talvez todos os dias da 14a. Semana.

Blog do Crespo – O Blog do Crespo possui um número grande de leitores que residem em outras regiões do país, mas que acompanham tudo o que acontece no nosso mercado principalmente no eixo Rio-São Paulo. Como esse pessoal consegue fica sabendo de tudo o que rola na Semana?  

Prof. Me. Adélio Brito – Além da cobertura do Blog do Crespo, quem quiser saber o que está acontecendo na 13a. Semana de Publicidade, pode nos seguir no Twitter (@semanapp), no Facebook (/semanapp), no Instagram (agenciapuc) e no nosso blog (semanapp.wordpress.com).  

 

Blog do Crespo – Lelo, o Blog do Crespo agradece sua entrevista e deseja uma excelente Semana de Publicidade à você, aos seus orientados da AgênciaPUC e principalmente aos estudantes que poderão desfrutar de tão importante conteúdo. Parabéns pelo trabalho!  

Prof. Me. Adélio Brito – Eu é que agradeço, irmão! É sempre bom contar com amigos como você!

 

Entrevista exclusiva ao Blog do Crespo, em 06/09/2012. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução sem autorização.

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