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chegadeassedio
Fonte: Pixabay

Preciso confessar uma coisa. Já estou de saco cheio de assédios e desrespeito com as mulheres no ambiente de trabalho. Por muito tempo sustentei um profundo desejo de encher a sua cara de tapa. Acordava de manhã, já preocupada em saber que em uma hora dividiríamos o mesmo ambiente. Para, como sempre, aguentar você chegando com seus insultos e olhares invasivos. Sentia vergonha em vê-lo medindo meu corpo como se fosse carne e se imaginando em situações bizarras comigo com esse seu sentimento nojento e animal.

Eu levantava para buscar café? Automáticos, seus olhos machistas acompanhavam o meu andar enquanto eu ia buscar a porra de um café. Quando eu voltava, lá estava você com esse jeito babaca olhando para os meus seios.

Eu não olhava no Instagram, eu respondia um e-mail porque estava cheia de trabalho, coisa que você deveria também fazer: o seu trabalho. Certo dia me curvei para falar com uma colega, sentada à frente, e me senti sendo invadida novamente pelos seus olhares desrespeitosos. Por muito tempo essa imagem ficou retida na minha cabeça. Nesse dia, aliás, fiquei com receio de você me convidar para almoçar. Mas, graças a Deus, você acabou nunca me convidando. Depois fui para um happy hour com as pessoas de bem do trabalho, relaxar e espairecer com pessoas que me respeitam pela mulher e ser humano que sou. Ainda bem que você não teve coragem. Você certamente seria mal interpretado.

Aliás, com toda a certeza, você estava mal-intencionado. Queria sexo. O tempo passa e nosso chefe o convida para uma promoção, mesmo você sendo um cara que em vez de trabalhar fica secando as mulheres no ambiente de trabalho. Como sempre, mais poder e grana. Na mesma manhã ele juntou a equipe e fez um comunicado formal, o qual você mal escutou porque não parava de me olhar novamente de maneira invasiva. Minha sorte era que você ficaria agora em uma sala isolado. Um dia tive que entrar para tratar de um assunto profissional que, infelizmente, dependia da sua aprovação para ir adiante. Era pleno verão e eu só queria usar uma roupa que me deixasse mais confortável, mas você não parava de me olhar.

Que vontade que deu de grudar no seu pescoço e imaginar que você ficaria todo marcado. Você sentou do meu lado e encostou seu nojento braço em mim, depois de pedir para ver o trabalho no meu computador. Você aprovou o trabalho e, por isso, achou que eu deveria te dar um beijo. Quase falou essa bobagem, mas ainda bem que se conteve. Então, levantei e pedi para que você parasse de ser escroto e de me secar diariamente. Você ficou estático, com cara de bobo. E eu escrevi meu pedido de demissão, porque não sou obrigada a trabalhar em ambiente machista com homens escrotos. Reconheço, porém, uma pontinha de injustiça por saber que tive que largar o emprego que amo para me livrar de pessoas como você.

Tags : assédiopropmarkstalimir vieira
Guilherme Crespo

O autor Guilherme Crespo

Publicitário e Redator. Tem 30 anos de idade e é pós-graduado em Gestão de Negócios em Marketing pela ESPM. Possui ainda diversas certificações profissionais em instituições como ESPM, FGV e SENAC. Atuou por 5 anos como Redator no Groupon Brasil. Atualmente é Redator Pleno da agência AT2D. Fundador e mantenedor do Creativosbr.

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