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Opinião

Desçam a Serra, senhores anunciantes! O pedágio custa só R$ 20,10!

Vim do litoral. Morei lá enquanto criança, cresci lá, me formei em Santos e atualmente visito a região da Baixada Santista semanalmente.

Também vou bastante ao Litoral Norte, de boas praias, gasolina cara e gente mais metida.

O litoral de São Paulo, seja o Norte ou o Sul, é muito bonito e não deixa nada a desejar aos demais litorias que temos por perto.

Agora, me permitam uma análise com cabeça de publicitário, nisso tudo.

Se pegarmos as nove cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista, que vai de Peruíbe à Guarujá, temos aos finais de semana, um número considerável de pessoas, seja de moradores ou de população flutuante, que conhecemos como turista.

Basta ver fotos das praias lotadas em finais de semana comuns ou as homes dos grandes portais na internet, que agora, enquanto escrevo este post, publicam dezenas de fotos do trânsito de volta na Rodovia dos Imigrantes.

Aos feriados e em especial o Carnaval e o Ano Novo, cada uma dessas cidades supera em até 600% o número de sua população fixa.

Grande parte desses turistas são provenientes de São Paulo capital e também de cidades do interior do Estado.

É bem verdade, que a tal Região Metropolitana aqui citada, não é formada por ricos ou milionários, muito pelo contrário, além de possuirem populações humildes, recebem também turistas de iguais classes sociais e que enxergam nessas cidades, uma maneira barata e factível de diversão.

Praia Grande por exemplo, que possui algo em torno de 280 mil habitantes, é uma cidade que em alta temporada chega a receber 1,5 milhão de pessoas. Fica impossível andar na cidade: fila em banco, fila em posto, fila em padaria.

Mas estão todos ali consumindo, gastando dinheiro na cidade e felizes como nunca estariam ou estiveram na cidade em que moram.

Tenho notado que são poucos os anunciantes que perceberam isso, ou seja,  que se aproveiram dessa situação e que investem em cidades como Praia Grande.

As grandes marcas de bebidas por exemplo migram para o Litoral Norte na mesma velocidade que seus consumidores mais abonados, vão para o São Sebastião, Bertioga ou Ubatuba.

Por que as marcas que, obviamente tem como público alvo a classe B, C, ou D não vão atrás de seus consumidores também no litoral sul?

O cara que come o fango com farofa na praia, também toma cerveja, escova os dentes e usa chinelo.

Praia Grande, São Vicente e Santos possuem milhares de faces de mídia exterior que não são tomadas por anunciante algum nos feriados ou em datas de praia ainda mais cheias.

Vou aqui citar uma única marca que tenho visto aproveitar essa oportunidade e que por conta disso, tem "falado" sozinho com os turistas.

Trata-se da Cerveja Cristal. Ela tomou as ruas dessas cidades que citei e acaba por chamar a atenção, uma vez que só ela aparece.

Enquanto isso, a briga por espaços publicitários em Maresias, Juquehy ou Ilha Bela bombam de patrocínios em arenas montadas semanalmente em suas praias.

Será que existe anunciante que tem preconceito com algumas cidades do Litoral Sul, mesmo sabendo que seu target frequenta aquele local?

Certa vez, trabalhei para um cliente que mesmo sabendo que o público dele era um, queria anunciar para outro target. Era uma questão de ponto de vista dele, que achava que seu produto poderia também ter como target, aquele cara mais velho, de mais grana.

Senhores anunciantes e publicitários: vamos olhar com mais carinho para cidades abarrotadas de gente os finais de semana. Gente que consome o seu produto ou que poderia experimentar o seu produto em algum momento.

Fale com seu consumdior em um lugar onde ninguém mais está falando com ele.

O dinheiro do humilde é o mesmo que o dinheiro do rico. E sua marca pode estar falando com o primeiro e não com o segundo. Não tenha medo de seu consumidor. Ele não morde.

Desçam a Serra, senhores anunciantes! O pedágio custa só R$ 20,10!

Boa semana a todos!

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Filipe Crespo

The author Filipe Crespo

Publicitário formado e Mestre em Administração com ênfase em Finanças. Profissional de mídia certificado pelo Grupo de Mídia de São Paulo construiu carreira em agências como Ogilvy, Africa, Y&R, JWT, W/McCann e Lowe, atendendo clientes como: P&G, Unilever, BRFoods, LG, Bradesco e Mastercard. Atualmente é Sócio Diretor do Creativosbr e Consultor de Mídia do McDonalds no Brasil. É idealizador do Amigos do Mercado. É também professor de Planejamento de Mídia na FECAP, na FAAP e no MBA do Mackenzie.

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