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Mídia

Feio demais, Dona Record!

Embora a TV aberta possua uma penetração de 98% junto aos lares brasileiros, temos poucas emissoras de TV aberta brigando diariamente pela conquista da nossa verdadeira atenção.

A TV Globo, pretencente ao maior grupo de comunicação do país, possui praticamente a metade do share do país, além dos programas com as maiores audiências da TV brasileira.

Porém, nos últimos anos, tenho visto um esforço muito grande das emissoras menores, que tentam de alguma forma morderem um pouco da força da "poderosa" empresa da família Marinho.

E sou um torcedor desse movimento por conta da diversidade de informações disponíveis aos brasileiros na TV aberta, como nunca visto antes.

E eles tem conseguido, não? Programas como Fantástico e BBB apresentam queda de audiência. Novelas da Record e jornalísticos da Band veem seus números crescerem.

Isso é genial! Vamos à alguns exemplos nominais:

A Band é uma que se movimentou e nos últimos dois anos, colocou na grade, programas que tem dado muito certo. CQC, Polícia 24horas, a Liga, entre outros, aumentaram consideravelmente a audiência média do canal.

A RedeTV! embora tenha passado por alguns problemas internos, também levou aos telespectadores nos últimos anos, programas interessantes e de formato inovador. Você sabia que a emissora possui altíssima afinidade com a classe AB?

Estive na RedeTV! dias atrás e numa conversa com o Marcelo, escutei as seguintes palavras: "Nós somos laboratório pra outras emissoras. Nós fazemos bons produtos e depois vendemos para elas. (risos)" Pânico e UFC são exemplos de programas que nasceram na emissora e depois partiram para outros veículos.

SBT não muda muito a fórmula, mas o que falar de um apresentador que está há décadas na programação dominical e tem média de 11, 12 pontos? Silvio Santos Gênio! E Chaves então? 8 pontos de audiência todo dia.

Ai ai, falta escrever sobre a tal da Record.

Preparados para uma longa leitura?

Que emissora nos últimos anos mais incomoda a líder, como a Record? Com comunicação provocativa, mas também com programas mais bem elaborados, a emissora tem visto seus índices de audiências subirem e embora ainda não ameaçe a Rede Globo, é a que está mais próxima do feito.

Mas anda pisando na bola. E feio!

O que vou escrever aqui reflete a minha opinião sobre o que tenho visto. É subjetivo, pode não ter a ver com a sua realidade ou com o que o canal se propõe. Mas eu duvido que tenhamos ideias tão divergentes assim. Sim, digo eu e você!

Não é de hoje, que a emissora vem "pegando no pé" do MMA, esporte que mais cresce no país. Falou mal do esporte, dos lutadores e provocou a ira de alguns deles. Mas é verdade que intensificou as críticas ao esporte, assim que a Globo começou a se programar para transmitir mais um evento, o TUF.

Comos sabem, o TUF é um reality show que já existe nos EUA e está na 15a. edição naquele país. Pela primeira vez, realiazado fora da terra do Tio Sam, a proposta da edição brasileira é colocar 16 lutadores dentro de uma casa para convívio diário e lutas aos finais de semana que vão aos poucos selecionando os melhores e definindo então os lutadores vencedores do programa.

Descoberta a mina pela Globo, que ganha dinheiro com o UFC, penso que o mais natural para emissoras concorrentes é criar uma programações que possam derrubar a audiência do TUF, não?

O SBT por exemplo, no dia da estreia do TUF, colocou no ar, na mesma faixa horária, uma entrevista exclusiva com o humorista Rafinha Bastos, no programa da Marília Gabriela.

Não é do caralho isso? Concorrência, estratégia, diversificação. Quanta gente não ficou em dúvida do que assistiria naquele momento? Vi isso em minha própria casa.

O TUF registrou 12,36 pontos de audiência na Grande São Paulo em sua estreia, enquanto o SBT na vice liderança marcava 4,2. Isso é bacana.

Mas teve emissora que não se preocupou com isso e ficou pra trás!

Vamos voltar a falar da Record.

Como a edição brasileira do TUF é gravada e transmitido em episódios/pílulas semanais na Globo, é natural que o programa já tenha as próximas seletivas definidas.

Quem se interessa em saber o que está acontecendo nas seletivas, antes de elas serem veiculadas?

Penso que a família de quem está lá dentro! Só, não?

Ah… mas o Grupo Record, através de seu site, o R7, teve outra ideia. 

Vejam:

 

Sim, eles divulgaram os finalistas do reality show da Globo que havia começado no dia anterior.

Como pode uam coisas dessas?

E pior: se você ler a matéria na integra, ainda disponível no portal R7, eles não assumiram a "bronca" não. Na reportagem é dito que "internautas descobriram".

Ué, mas se foram os internautas os responsáveis pelo "furo", por que é que o título da matéria fala que foi o R7? Contraditório, não?

Pior ainda é o que vi hoje:

 

Agora, a emissora comemora o fato de ter dado o "furo" de reportagem.

Pelo amor de Deus! É o fim do mundo!

Não poderiam estar trabalhando para o desenvolvimento da própria emissora ao invés de ficar falando de suas concorrentes? Por que não colocam um bom programa na grade nas noites de Domingo e aí tentam derrubar o TUF?

Nunca morri de amores pela Record, mas também nunca esperei isso dela.

Como disse, tudo isso é subjetivo e talvez você nem concorde comigo.

Tenho dezenas de amigos que ali trabalham, mas não posso me calar diante de tal situação.

Não encaro isso como furo de reportagem não.

Não me interessa saber se a emissora acertou ou não, de quem vazou a informação ou como isso ocorreu. A Globo que corra atrás disso e de seus direitos, se é que tem!

O que trato aqui é da sacanagem absurda criada pela Record. Como telespectador estou aterrorizado com o que vi. Foi um jogo sujo.

Você acha que a Globo faria uma coisa dessas? Eu tenho certeza que não.

Sou o cara mais a favor no mundo da livre concorrência na TV aberta e por milhares de vezes, aqui "bato" na Globo.

Mas esse lance me deixou alarmado.

Vivendo e aprendendo.

Boa semana a todos.

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Filipe Crespo

The author Filipe Crespo

Publicitário formado e Mestre em Administração com ênfase em Finanças. Profissional de mídia certificado pelo Grupo de Mídia de São Paulo construiu carreira em agências como Ogilvy, Africa, Y&R, JWT, W/McCann e Lowe, atendendo clientes como: P&G, Unilever, BRFoods, LG, Bradesco e Mastercard. Atualmente é Sócio Diretor do Creativosbr e Consultor de Mídia do McDonalds no Brasil. É idealizador do Amigos do Mercado. É também professor de Planejamento de Mídia na FECAP, na FAAP e no MBA do Mackenzie.

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