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Opinião

O que fica de legado da Rio 2016?

 

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Duas
histórias numa só. Ah, e longas, mas se tiver um tempo, acho que vale a pena…

Foi entre 2007 e 2008. Em visita ao nosso país pela primeira vez, meu amigo
turco Mert escolheu o Rio de Janeiro como cenário para seus merecidos dias de
férias.

Fazia tempo que eu não o via e então decidi ir à cidade maravilhosa
para encontrá-lo. Se hospedou ali num hotel na esquina da Rua Duvivier com a
Av. Atl
ântica, em Copacabana.

Tive a
oportunidade de passar um final de semana inteiro com meu amigo e também na
companhia de seus pais, apresentando a eles, tudo o que eu conhecia ou podia
daquela cidade.

Desse encontro, várias passagens bacanas ficaram guardadas na
memória e que são revisitadas quando olho as fotos tiradas naquela
oportunidade.

Porém, duas passagens horríveis infelizmente também ficaram
marcadas.

A primeira destas foi quando, instantes depois de presenteá-lo com
uma camisa da seleção brasileira de futebol, tive que tomar de volta, de forma
ríspida e de suas mãos, o presente que acabara de entregar.

Ocorre que minha
noiva notou dois trombadinhas “na cola” do meu amigo que caminhava com o presente
nas mãos, e quando ela me avisou foi só o tempo suficiente para que eu tomasse
a camisa do Mert e entrássemos de forma rápida em um comércio local.

Cena
presenciada por todos mas principalmente por um motorista de ônibus, que
passava pela Av. Nossa Senhora de Copacabana e que nos ajudou, dando passagem e
nos recomendando o abrigo em uma das lojas da rua.

Até hoje, Mert brinca
achando que eu havia desistido de dar o presente à ele e por isso, havia tomado
a camisa de suas mãos.

A segunda passagem é ainda pior. Ao sairmos de uma
balada já de madrugada, deixei Mert e minha noiva na porta do local, e fui
andando pela rua, até uma avenida próxima em busca de um taxi. Foi a maneira
mais segura que encontrei.

Ocorre que antes de eu sair em busca de um taxi, deixei
com minha noiva, meu relógio, celular, corrente e carteira com dinheiro e
documentos.

Mert não entendeu o motivo de deixar meus pertences ali e perguntou
à minha noiva porque eu estava fazendo aquilo.

Quando soube o motivo, se
mostrou surpreso.

Depois desse ocorrido, me confessou por várias vezes que essa
foi uma das imagens mais marcantes que ele teve daquela viagem ao Brasil.

Hoje, dia 23 de Agosto de 2016. Volto do Rio de Janeiro com uma sensação
diferente de tudo que já senti naquela cidade.

Mert tinha que estar lá pra ver.

Nós, brasileiros, tínhamos um medo enorme de não conseguirmos realizar uma
Olimpíada que fosse sucesso aos olhos do povo brasileiro, mas principalmente
aos olhos dos gringos.

Temos uma necessidade absurdamente grande de saber o que
os estrangeiros pensam de nós e de nossas realizações.

Olha eu aqui por
exemplo, falando do Mert.

Veja a imprensa brasileira dedicando extenso tempo
para o assunto, abordando o que dizem os maiores veículos de comunicação e
atletas por todo o mundo e o que falam de nossa Olimpíada.

E se essa era mesmo
nossa preocupação, devo dizer que o objetivo foi atingido.

Os gringos adoraram
nosso país, o Rio de Janeiro e os Jogos Olímpicos. Talvez o nadador americano
Ryan Loche não tenha tanta saudade de nosso país assim, mas ele deve ser o
único que pense diferente.

A emissora GloboNews informou que 8 de cada 10
atletas entrevistados responderam que pretendem retornar ao Brasil, para
turismo, nos próximos anos. Veja, deixamos uma imagem positiva.

Fizemos uma sensacional
Olimpíada e devemos nos orgulhar disso. Tivemos erros? Sim, claro, tivemos! Mas
nada alarmante ao ponto de comprometer o sucesso dos Jogos.

Estive no Rio
durante o evento. Posso dizer o que vi e o que senti.

Eu vivi o clima olímpico
da forma mais verdadeira possível.

E não tive regalias como alguns podem
imaginar.

Não assisti jogo nenhum de graça com ingresso de cortesia. Comprei
meus ingressos como todo e qualquer brasileiro. Vou pagar no cartão. Vem na
fatura do próximo mês.

Fui ao Rio com meus próprios recursos. Paguei
hospedagem, alimentação. Levei minha família. Fomos pra Barra de transporte
público e compramos os produtos oficiais dos Jogos como recordação.

E ainda
assim, posso dizer que o ambiente olímpico vivenciado foi sem igual e a calorosa
receptividade de anfitrião do brasileiro só contribuiu à isso, fazendo da Rio
2016 algo jamais visto em uma Olimpíada.

Os voluntários que trabalharam na
organização merecem uma medalha de ouro. Simpáticos, atenciosos, trabalhando
com amor. Me culpei por não ter me inscrito nesse trabalho.

A torcida
brasileira ao seu jeito, incomodou os gringos no início, que depois nos
entenderam e também caíram na festa. Nosso povo é assim, vivo, intenso.

Como
alguém disse recentemente: os gringos precisavam entender que se tivesse um
jogo entre o Papa Francisco e o Padre Marcelo Rossi, gritaríamos até as últimas
pelo nosso católico brazuca.

Somos um país que, ao acompanhar uma luta de boxe
entre dois estrangeiros, torcemos pelo juiz que é brasileiro, pelo simples fato
de ter a oportunidade de gritarmos “Brasil” num ginásio.

Em um bar Zona Sul,
cantei e bebi cerveja com australianos, americanos, coreanos e até com
torcedores e atletas do Cazaquistão. (não sei como se chama quem nasce lá).

Provoquei de forma amistosa no metrô, argentinos, cantando em coro, com dezenas
de outros brasileiros a música: “êêêêta, êta, êta, êta, o Messi não tem Copa,
quem tem Copa é o Vampêta.”

Eu curti, eu vivi o Rio. Aquela frase de “só quem
foi é quem sabe” é mais do que verdadeira. Quem não foi não tem idéia do que
foi esse evento.

Um ponto de extrema relevância é que me senti seguro no Rio de
Janeiro. Andei por toda a cidade e com sensação extrema de segurança. Zona Sul,
Barra, região do Centro. Policiais militares, Força Nacional, Guarda Municipal
e Exército.

Mert, eu juro que é verdade.

Me senti seguro no Rio. Andei de
metrô, BRT, táxi, Uber. Sem medo algum. Era um outro Rio de Janeiro.

Peço
somente que os governantes entendam que a partir de hoje, o que deve deixar o
Rio, são as estruturas metálicas somente. Somente elas.

O povo carioca, o povo
brasileiro de modo geral, merece daqui por diante, a mesma atenção que foi dada
durante os dias dos Jogos, principalmente no que diz respeito à segurança.

Que
o legado Olímpico que fique por aqui não seja necessariamente igual ao de
Barcelona.

A Olimpíada nos trouxe o orgulho de ser brasileiro. Vivenciei de
forma intensa valores humanos como cooperação, igualdade, amor, esperança,
solidariedade, paz, liberdade, tolerância e respeito.

Peço à Deus que nosso
maior legado de nossa Olimpíada esteja na esperança que esse evento nos
proporcionou.

Vamos deixar a “síndrome de vira lata” de lado.

Mostramos ao
mundo que sempre duvidou da nossa capacidade e mostramos a nós, que por um
período também duvidamos, que somos capazes e que temos tudo para dar a volta
por cima, independente da lama política que vive nosso país.

Hoje, dia 23 de Agosto de 2016, volto do Rio de Janeiro diferente.

Meu
amigo Mert, te convido para uma nova visita ao Rio.

Dessa vez, só teremos boas
histórias para contar.

 

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Filipe Crespo

O autor Filipe Crespo

Publicitário formado e Mestre em Administração com ênfase em Finanças. Profissional de mídia certificado pelo Grupo de Mídia de São Paulo construiu carreira em agências como Ogilvy, Africa, Y&R, JWT, W/McCann e Lowe, atendendo clientes como: P&G, Unilever, BRFoods, LG, Bradesco e Mastercard. Atualmente é Sócio Diretor do Creativosbr e Consultor de Mídia do McDonalds no Brasil. É idealizador do Amigos do Mercado. É também professor de Planejamento de Mídia na FECAP, na FAAP e no MBA do Mackenzie.

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