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Opinião

Pra que tanto canal de TV? Não quero saber do terremoto ocorrido na Zâmbia, no século XVI.

Me lembro da primeira vez que vi uma televisão com sinal de TV
por assinatura.

Foi na casa de um colega do meu pai, no bairro da Aparecida,
em Santos.

Com o controle remoto em punho, o rapaz sorridente passava e
apresentava cada um dos canais. Conteúdo variado para todos os gostos, inúmeros
idiomas nunca antes vistos, filmes e modalidades esportivas de todos os
estilos.

Eu me perguntava se haveria tempo suficiente na vida de um
cidadão para conseguir consumir tudo aquilo. E mais, se teria gente o
suficiente para consumir aquele conteúdo diferenciado todo.

Com o passar dos anos, muita gente comprou pacotes de TV por
assinatura pela quantidade de canais que vem em cada um dos pacotes.

Ainda hoje, existem pacotes que chegam a ter mais de 400
canais, no mercado.

Porém, penso eu, que com o passar dos anos, a quantidade de
canais disponíveis no pacote adquirido deixou de ser uma das coisas mais
importantes do meio.

É algo que não faz mais sentido. Nem pra mim e nem pra ti.

Torna-se humanamente impossível consumir todo esse conteúdo,
mesmo que se tire férias atrás de férias do trabalho.

Melhor do que ter um monte de canais, é ter bons canais.
Sim, mais vale a qualidade do conteúdo do que a quantidade de canais.

É sabido que a audiência está pulverizada e a atenção não é
mais exclusiva da TV.  Ele divide a
atenção com inúmeras outras atividades e em especial, ao seu celular.

Quando o cidadão senta no sofá e pega o controle remoto, ele
já sabe o que ele deseja encontrar e também sabe onde tal conteúdo deve estar.

Se for pra zapear canais, como se fazia no passado, ele prefere
ir direto ao Netflix, onde ele tem certeza que não encontrará uma TV CÂMARA no
meio de tua busca pelo conteúdo desejado.

Muito provavelmente, assim como eu, tu deve consumir poucos
canais de TV por assinatura. Pare para pensar: Tu costuma assistir mais do que
5 ou 6 emissoras? Duvido!

Dia desses descobri que não sou o único a utilizar a função “Favoritos”
do aparelho de TV. Sim, ali coloco somente os canais que sei que podem me
interessar.

Alguns amigos também me confessaram fazer o mesmo. No “Favoritos”,
pulo da ESPN, pro HISTORY, pra FOX, pro SPORTV, pra GLOBONEWS e pra TVE.

Pronto, estou feliz com isso! Não quero saber sobre o terremoto
ocorrido na Zâmbia no século XVI.

São esses os poucos canais me atendem e que me fazem pagar a
mensalidade da operadora. Quanto aos demais 300 ou 400 e pouco, nem sei o que transmitem
à meses. Não me fazem falta.

Lógico que preferia não pagar por esse monte de conteúdo que
não me interessa, mas não tem jeito.

As operadoras do serviço sabem desse meu e do seu consumo
focado, mas jamais abrirão a possibilidade de compra avulsa por canal, pois motivos
óbvios.

Ocorre que terão que repensar teu formato de venda, pois além
da Netflix, outros players de similar formato estão chegando.

Sinal maior de atenção é o número de assinantes de TV por
assinatura no Brasil, que depois de mais de dez anos de crescimento considerável,
deverá fechar 2015 com relevante queda em relação ao ano anterior.

Vale a reflexão.

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Filipe Crespo

The author Filipe Crespo

Publicitário formado e Mestre em Administração com ênfase em Finanças. Profissional de mídia certificado pelo Grupo de Mídia de São Paulo construiu carreira em agências como Ogilvy, Africa, Y&R, JWT, W/McCann e Lowe, atendendo clientes como: P&G, Unilever, BRFoods, LG, Bradesco e Mastercard. Atualmente é Sócio Diretor do Creativosbr e Consultor de Mídia do McDonalds no Brasil. É idealizador do Amigos do Mercado. É também professor de Planejamento de Mídia na FECAP, na FAAP e no MBA do Mackenzie.

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