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Opinião

Uma cidade que respira a pressa de forma desnecessária

Eu ia escrever um post falando de um cara que estava na minha frente na fila do restaurante por quilo.

Eu ia dizer que ele pegava um milho de cada vez e que ficou uns 15 segundos em dúvida entre o arroz branco ou integral.

Eu ia dizer que eu estava puto com ele e que pensei em jogar a batata toda no prato dele quando ele olhou a mesma por algum tempo.

Eu também ia dizer que certamente o prato dele daria uns R$ 12,00 mas que ainda assim, iria pedir Nota Fiscal Paulista e que não ia saber de cabeça, o número do CPF dele, levando a mão ao bolso.

Eu ia dizer que esse cara talvez não tivesse a tarde tão cheia de jobs quanto eu tenho. Eu ia dizer.

Mas talvez ele tenha percebido toda essa minha angústia silenciosa, pois olhou pra mim, e de forma bastante calma, serena, pediu desculpas pela demora e disse que a vida o ensinou que viver sempre com pressa faz muito mal à saúde.

Fiquei extremamente sem graça e só aí percebi que ele não tinha um dos braços e eu até então, nem havia notado.

Não sei o motivo de sua deficiência, mas de qualquer forma, me fez pensar. Nem sei se ele pediu a Nota Fiscal Paulista e nem se ele pesou o prato.

Tudo passou rápido e indolor quando resolvi pensar no assunto.

Ele sentou próximo à janela e agora está comendo tranquilamente enquanto observa as pessoas passando na rua.

Por outro lado, parece que nada aprendi, pois escrevo esse post enquanto a comida esfria no prato, na minha frente.

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Filipe Crespo

The author Filipe Crespo

Publicitário formado e Mestre em Administração com ênfase em Finanças. Profissional de mídia certificado pelo Grupo de Mídia de São Paulo construiu carreira em agências como Ogilvy, Africa, Y&R, JWT, W/McCann e Lowe, atendendo clientes como: P&G, Unilever, BRFoods, LG, Bradesco e Mastercard. Atualmente é Sócio Diretor do Creativosbr e Consultor de Mídia do McDonalds no Brasil. É idealizador do Amigos do Mercado. É também professor de Planejamento de Mídia na FECAP, na FAAP e no MBA do Mackenzie.

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